Jovem negro denuncia racismo após ser acusado por mulher de roubo em teatro da Zona Sul

Um estudante de Nutrição usou as redes sociais para denunciar que foi acusado de roubar um guarda-chuva no Teatro Ipanema, no bairro de mesmo nome, na Zona Sul, do Rio, na noite do último sábado. O caso teria acontecido após a pré-estreia da peça. Fábio Leandro gravou um vídeo em que contou como tudo aconteceu. A publicação viralizou nas redes sociais. Entretanto, ele ainda não registrou o boletim de ocorrência. O rapaz afirmou que aguarda apenas um advogado para fazer um registro de ocorrência contra a mulher, na tarde desta segunda-feira.

Segundo o universitário, tudo aconteceu na estreia da peça ‘Nem Todo Filho Vinga’, que fala sobre racismo, preconceito e desigualdade social. No vídeo ele desabafou sobre o caso de suposto racismo.

“Estou vindo aqui para compartilhar o que aconteceu comigo ontem lá no Teatro de Ipanema. Eu fui acusado de roubar um guarda-chuva de uma pessoa branca que assistiu à peça ‘Nem Todo Filho Vinga’, que fala sobre, justamente, isso: preconceito, racismo e desigualdade social”, relatou o universitário, que prosseguiu:

“Se ali perto de mim não estivesse pessoas confirmando e indo ao meu favor, hoje eu poderia estar até preso. Por conta disso. Eu fui acusado de roubar um guarda-chuva. Sendo que o guarda-chuvas era meu. Tem câmeras que mostram que eu entrei e sai com o guarda-chuvas. Ela veio na minha direção perguntando: “Você vai para onde com o meu guarda-chuvas? Me devolve meu guarda-chuvas. Me dá”, agressivamente”, relatou Fábio.

O rapaz disse que após a suposta acusação, ele recebeu todo o apoio dos organizadores da peça e da direção do teatro.

Após Fábio divulgar o que aconteceu, a direção do espetáculo teatral publicou um vídeo em suas redes sociais repudiando o que aconteceu.

“Nós, da Companhia Cria do Beco, repudiamos toda e qualquer atitude racista. Ontem, 11 de junho, após o espetáculo, uma mulher acusou um amigo negro, favelado, de ter roubado seu guarda-chuva. Sim, um guarda-chuva. A cena foi caótica, estendeu-se na rua, num constrangimento terrível. Continuaremos ocupando esses espaços e trazendo nossa galera pro teatro”.

A Secretaria municipal de Cultura ainda não se pronunciou sobre o caso. Procurada, a delegada Daniela Campos Rodriguez Terra, titular da 14ª DP (Leblon), afirmou que não houve registro do caso na distrital. Entretanto, ela salientou que o rapaz poderá fazem o boletim de ocorrência em qualquer delegacia e, posteriormente, o registro é enviado para a 14ª DP onde é a área de atribuição.

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