Jovem negro vira 'suspeito' por praticar fotografia na rua em Jundiaí

Moradores de bairro em Jundiaí tiraram fotos do jovem após considerarem a atitude dele como 'suspeita' — Foto: Reprodução/Facebook

Um adolescente de 17 anos relatou ter sofrido preconceito por parte de moradores e de um vereador enquanto praticava fotografia pelas ruas do bairro Eloy Chaves, em Jundiaí, na grande São Paulo. O caso foi revelado pelo jornal Folha de S. Paulo.

Gabriel Souza, que trabalha em uma borracharia, afirma que o episódio se deu quando, durante o horário de almoço, saiu para tirar fotos de alguns pontos do bairro com uma câmera.

Leia também

"É um equipamento novo que eu havia ganhado há pouco tempo, então decidi testar durante o meu horário de almoço. Até então, não estava sabendo de nenhuma repercussão", revela.

Posteriormente, fotos e áudios foram divulgados em grupos de moradores no Whatsapp e no Facebook alertando sobre a presença de um rapaz e aconselhando que, caso voltassem a flagrá-lo, acionasse a Guarda Civil Municipal.

Um dos integrantes do grupo de moradores é o vereador da Câmara de Jundiaí Antônio Carlos Albino (PSB). Em um áudio atribuído a ele, Albino reforça a importância da denúncia.

"Boa tarde! Se vocês virem esse indivíduo pela a rua, por favor, já liguem 153, porque a viatura da Guarda está tentando achar ele no bairro. É um suspeito de estar filmando e tirando fotos das casas.", diz.

Gabriel conta que um dia após realizar as fotos começou a receber “olhares de reprovação” pela rua, mas pensou que “fosse por conta da roupa suja de graxa” e relevou o ocorrido.

Moradores de bairro em Jundiaí tiraram fotos do jovem após considerarem a atitude dele como 'suspeita' — Foto: Reprodução/Facebook

O jovem diz que só entendeu o que estava acontecendo quando um cliente e morador de um condomínio próximo ao local de trabalho de Gabriel o alertou que havia fotos e áudios circulando na internet.

Moradores de bairro em Jundiaí tiraram fotos do jovem após considerarem a atitude dele como 'suspeita' — Foto: Reprodução/Facebook

“Fiquei assustado e desesperado ao ver a quantidade de fotos minhas sendo compartilhadas nas redes sociais”. Gabriel diz que tentou, por duas vezes, registrar um boletim de ocorrência em delegacias diferentes, mas não conseguiu.

"O delegado de um dos distritos comentou que não havia crime para registrar boletim de ocorrência. Já outro delegado pediu que eu escrevesse meus dados em uma folha sulfite e fizesse uma foto para que eu pudesse ser investigado posteriormente, queria me fichar.", contou.

Segundo Gabriel, o vereador compareceu até a borracharia para esclarecer a situação e publicou uma mensagem no Facebook dizendo que havia sido um mal-entendido.

"Foi quando eu percebi a dimensão do que estava ocorrendo. Ele veio até a borracharia e logo percebeu que toda a situação tinha sido um engano, quando todos os áudios, imagens e até a Guarda Civil já estava atrás de mim. Ele ligou para o administrador do grupo e pediu que apagassem as fotos, pediu desculpas e ficou por isso", lamenta.