MG: Após obter alvará de soltura, jovem preso pede para ser solto só após jantar

Jovem preso afirmou ter medo de passar mal na rua pois passava fome antes de ser detido - Foto: Getty Images
Jovem preso afirmou ter medo de passar mal na rua pois passava fome antes de ser detido - Foto: Getty Images

Um rapaz de 20 anos, preso por roubar um celular em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), na última sexta-feira (3), ganhou liberdade provisória, mas fez um pedido inusitado antes de ser solto. Ele pediu para ser liberado só após o jantar, alegando que seu corpo estava “muito fraco” e que tinha medo de “passar mal na rua”.

O caso aconteceu no último domingo e viralizou depois que o promotor do Ministério Público de Minas Gerais Luciano Sotero Santiago publicou o pedido em uma rede social.

“Antes de eu ir embora, a senhora poderia deixar eu só jantar? Meu corpo está muito fraco, eu não dormi nada essa noite, eu vou ter que pegar ônibus para ir embora", disse o jovem.

De acordo com o promotor, o que chama atenção no caso é o fato de o suspeito pedir para ficar mais tempo preso para que pudesse jantar, já que passava fome na rua. Ele afirma ainda que situações em que a pessoa “abre mão da própria liberdade, para ter um prato de comida” comoveu a população.

"Ele abriu mão da liberdade para ter comida, disse que fazia 'bico' de pedreiro. Ele não tinha antecedentes, não posso presumir que ele vai cometer mais crimes. A prisão não recupera ninguém, se coloco mais um lá é um risco dele sair formado na faculdade do crime", destacou.

Além disso, o promotor Luciano Sotero Santiago, afirma que o caso do jovem retrata um cenário da criminalização da miséria e da pobreza no país.

“Eu como classe média, que como todo dia e só passo fome quando faço dieta, não tenho condições de avaliar a miséria do outro. O sistema de Justiça só reproduz o que está na nossa sociedade” e continuou "esse caso retrata a criminalização da miséria, da pobreza. A gente não sabe se ele tinha discernimento do que estava fazendo. Não gerou impunidade, ele vai ser processado e, se comprovado a culpa, ele será condenado", afirmou.

Conforme o boletim de ocorrência da Polícia Militar, a vítima contou que passava pelo bairro Boa Esperança, na noite da última sexta-feira (3), quando o suspeito pediu que ela passasse o aparelho telefônico.

Em seguida, ele fugiu, mas foi localizado por militares. Segundo o promotor do caso, o jovem confessou o crime, o telefone foi devolvido e o rapaz é réu primário.

Sendo assim, outras medidas cautelares foram impostas: proibição de contato e aproximação da vítima, monitoramento eletrônico e comparecimento à Justiça uma vez por mês.

"A audiência de custódia foi realizada no domingo com a minha participação, da juíza e de uma defensora pública. Ficou claro que ele apresentava algum transtorno e foi solicitada avaliação psicológica e psiquiatra. Ele disse que ouvia vozes, tinha dificuldade para dormir e de acesso à medicação. Ele não tem linguajar e postura de gente voltada para a prática do crime, não era roubo para manutenção de vício com droga", detalhou Santiago.

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