Jovem que acusa Gabriel Monteiro de estupro foi contaminada pelo vírus do HPV, aponta MP

A jovem de 22 anos que acusa o ex-vereador Gabriel Monteiro de estupro foi contaminada pelo vírus do HPV, aponta denúncia do Ministério Público do Rio (MPRJ). Segundo o órgão, a vítima realizou um exame após o crime, em julho deste ano, que constatou lesões pelo vírus. O youtuber foi preso preventivamente no fim da tarde de segunda-feira.

Investigação: Gabriel Monteiro 'usou a arma como um brinquedo', diz delegado

Tapa no rosto: Mulher que acusa ex-vereador de estupro conta que foi agredida ao se negar a ficar com segurança de Gabriel Monteiro

Em depoimento à 42ª DP (Recreio), a jovem contou que conheceu Monteiro na reinauguração de uma boate na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, e que ele a levou para a casa de um amigo no bairro do Joá, onde o crime teria acontecido, em 15 de julho.

Ainda segundo a mulher, o ex-vereador a constrangeu ao lhe apontar uma arma antes das relações sexuais e chegou a agredi-la com tapas no rosto durante o ato. Monteiro também teria se negado a usar preservativos, mesmo com os apelos feitos pela jovem.

Madrugada de horror

A denúncia do MPRJ, assinada pelo promotor Marcos Kac, dá detalhes da madrugada de horror. Ao chegarem à residência do Joá, Monteiro levou a mulher até um quarto no andar de cima, enquanto a amiga que a acompanhava permaneceu na sala. Ao entrarem no quarto, ainda com a porta destrancada, o ex-vereador foi ao banheiro. Na volta, ao ver que a mulher tentava deixar o cômodo, trancou a porta e tirou a arma da cintura. "(...) o denunciado trancou a porta do quarto, retirou a arma da cintura, passou no rosto da vítima, constrangendo-a com o fim de ter conjunção carnal, e começou a rir. Em ato contínuo, pegou o telefone celular, para gravar os fatos que se sucederiam, contudo o aparelho estava sem bateria", relata o documento.

Além de acusações de crimes sexuais: Gabriel Monteiro é acusado desvio de dinheiro público

Em seguida, o youtuber "foi para cima da vítima" para despi-la de forma violenta. Ela, então, teria dito que tiraria a própria roupa. Segundo o processo, com a mulher nua, Monteiro "a empurrou de forma violenta sobre a cama e começou a ter relação sexual de forma também violenta, sem usar preservativo, mesmo após os apelos da vítima para que ele não mantivesse relação sem camisinha". Durante o estupro, com a mulher chorando muito e imobilizada por ele - que segurava os dois braços dela pelos pulsos -, o ex-parlamentar passou a fazer perguntas: "É minha?", "Você está gostando?" e "Se eu pedir para você ficar com um dos meus seguranças na minha frente, você ficaria?". Segundo a denúncia, a cada pergunta, respondendo ou não, ela recebia um forte tapa no rosto.

Ao dizer que não ficaria com o segurança, a vítima, após apanhar de Gabriel, foi questionada novamente, respondendo sim, por medo. Mesmo assim, "recebeu um tapa mais forte, tendo o denunciado dito na sequência: 'Você não tem personalidade'."

A prisão de Gabriel Monteiro ocorreu quase três meses após ele perder o mandato (no dia 18 de agosto) em decisão quase unânime (48 a 2) do plenário da Câmara. O juiz Rudi Baldi Loewenkron, da 34ª Vara Criminal , aceitou a denúncia do MP e expediu o mandado de prisão contra Monteiro. Na decisão, o magistrado também determinou que sejam aprendidos celulares e armas de fogo do acusado. No fim da tarde de ontem, ele se apresentou na 77ª (Icaraí).

— Essa decisão da Justiça reitera que a decisão da Câmara de cassá-lo foi correta. E mostra que solto, ele era um perigo para a sociedade — disse o vereador Chico Alencar (PSOL).

Monteiro comentou a prisão em suas redes sociais:

— Não fui sequer ouvido na delegacia minha inocência será comprovada de forma incontestável. Por isso me apresentei.