Jovem que teve rim entregue à família em saco plástico se recupera em casa

Jovem teve rim retirado após ser baleado em Lauro Freitas, na Região Metropolitana de Salvador. (Foto: GettyImages)
Jovem teve rim retirado após ser baleado em Lauro Freitas, na Região Metropolitana de Salvador. (Foto: GettyImages)
  • 'Não tenho raiva de ninguém', diz jovem

  • Rim foi entregue em sacola para namorada da vítima

  • Hospital não explicou o caso

Depois de 14 dias internado, o entregador por aplicativo Jeferson Oliveira Bispo voltou para casa nesta quinta-feira (4) e se recupera do trauma que sofreu. Ele teve o rim retirado no hospital e entregue para sua família em um saco plástico, em Lauro Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, mas diz não guardar rancor.

“Não tenho raiva de ninguém. Quero que eles sejam orientados da melhor forma e que isso não aconteça com mais ninguém. Que eles tenham consciência”, disse o jovem de 21 anos ao portal G1.

Segundo Jeferson, os médicos o trataram bem e o orientaram. Agora ele pede que profissionais tenham mais atenção para que casos como esse não se repitam.

Seus familiares agora cobram respostas do Hospital Geral Menandro de Faria (HGMF). O caso é acompanhado pela Defensoria Pública da Bahia (DPE-BA).

Entenda o caso

A situação aconteceu na última sexta-feira (22), após Jeferson ter passado por uma cirurgia no hospital, depois de ter levado um tiro e perder um dos rins.

“Era por volta de 11h30, eu estava jogando sinuca com meu primo. De repente, apareceram três meliantes e só escutei o barulho dos tiros, que pegaram nas costas”, contou o jovem.

Por causa da gravidade do ferimento, Jeferson foi regulado e transferido para o Menandro de Faria. Na unidade, os médicos não encontraram o projétil que atingiu o jovem, mas fizeram uma cirurgia para conter o sangramento.

Segundo familiares, depois do procedimento cirúrgico a equipe médica entregou o órgão à família da vítima em um saco plástico.

Rim na sacola

Andreza Silva, namorada de Jeferson, o acompanhava nos atendimentos. Ela relatou que foi chamada pela equipe médica da unidade, e foi informada de que precisaria pegar "uma peça" do namorado.

Segundo ela, ao chegar à área do hospital em que faria a retirada desse material, Andreza percebeu que estava segurando o rim do companheiro e ficou assustada.

Ainda de acordo com a namorada do jovem, o órgão foi entregue junto com uma solicitação de exame de anatomia patológica, e a indicação de clínicas onde o procedimento poderia ser feito.

“Até então, deram um saco na minha mão e no saco eles diziam que era uma peça. Depois disso, ela [médica] veio até a mim para dizer que era o rim dele. Até então, a gente não sabia de nada disso e só soube depois da visita que era o rim. Isso foi no sábado [23], e ela falou que até segunda [25], a gente tinha que fazer esse exame”.

Luciano Bispo, pai de Jeferson, esteve no hospital horas após Andreza receber o rim do namorado, e questionou a unidade de saúde sobre o procedimento.

“É uma situação muito complicada, difícil. A gente fica estarrecido com uma situação dessa. Eu queria uma resposta do hospital, porque eu nunca vi uma coisa dessas. O hospital é um órgão, um rim de uma pessoa e dá para os familiares levarem para casa e poder fazer exame. É uma situação difícil, eu quero do hospital uma resposta”, pediu ele.

O pai do jovem, disse ainda que sem ter respostas do hospital, foi orientado pela própria família a prestar queixa na Delegacia de Portão. Ele relatou que, ao buscar esse atendimento, foi maltratado e constrangido pelos policiais, e que por isso a ocorrência não foi registrada.

O que dizem os envolvidos

A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) informou em nota nesta terça-feira (26) que apura a situação, decorrente de uma "falha no fluxo do atendimento". O paciente segue internado na unidade, e o estado de saúde dele é estável.

Segundo o Hospital Geral Menandro de Faria (HGMF) o órgão foi entregue aos familiares para realização de uma biópsia, porque a unidade não possui laboratório de anatomia patológica. Inicialmente, antes de informar que apura o caso, a Sesab confirmou a entrega do material à família.

Já a Polícia Civil, em nota, disse que disponibiliza tanto a Ouvidoria quanto à Corregedoria, para que seja formalizada a denúncia de mau atendimento. Informou ainda que não" coaduna com as atitudes relatadas".

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