Jovem relata ter sofrido estupro dentro de boate que pertence a deputado em Cabo Frio

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RIO - Uma jovem relata ter sofrido um estupro dentro da boate Buda Lounge, em Cabo Frio, na Região dos Lagos. O caso, revelado pelo "RJTV", ocorreu na noite de 8 de maio deste ano, véspera do dia das mães. O estabelecimento, que tem como um dos sócios o deputado estadual Filippe Poubel (PSL), não poderia estar funcionando à época por conta das restrições relacionadas à pandemia. Em vídeo enviado à reportagem da TV Globo, o parlamentar alega que o local abriu na ocasião para uma "festa particular, sem bilheteria" e que estava presente apenas para "cuidar da parte administrativa".

A vítima, porém, afirma que foi até a boate para participar de um evento clandestino. Moradora da cidade do Rio, ela foi até Cabo Frio para passar o fim de semana com a família. De acordo com a jovem, a entrada para a boate era feita pela porta da cozinha e era proibido o uso de celulares. Depois de consumir grande quantidade de bebida alcoólica, ela conta ter ficado incosciente, momento em que teria sofrido o abuso por parte de dois funcionários da casa, ainda segundo o "RJTV".

A mulher relata que, ao despertar, estava no segundo andar do estabelecimento, onde havia "uma espécie de área vip ou camarote". Sem ser identificada pela reportagem, ela acrescenta: "Não lembro como fui parar lá". Uma amiga teria tentado acordá-la, mas não obteve sucesso. Outro colega da jovem contou à reportagem que encontrou a amiga "jogada no sofá, de perna aberta, totalmente desacordada".

Segundo o depoimento do rapaz, diante dela, que estava em um ponto muito escuro e aparentemente desativado da boate, havia dois homens. Ele conta que tentou buscar ajuda, mas foi impedido por cerca de sete seguranças pessoais de Filippe Poubel. "Tentaram me agredir, deram como se fosse um mata-leão", descreve o rapaz, antes de continuar: "Usavam palavras de injúria, de homofobia, gritavam".

O caso está sendo investigado pela 126ª DP (Cabo Frio), que, conforme informou a TV Globo, ouviu oito pessoas até o momento. Ainda de acordo com a reportagem, somente mais de um mês depois do ocorrido um sofá que ficava dentro do estabelecimento foi recolhido para perícia. A vítima fez exame toxicológico e deixou o vestido que estava usando no Instituto Médico-Legal (IML), mas os resultados das análises ainda estão prontos.

Na 126ª DP, uma testemunha contou que "se deparou com a amiga deitada no sofá, de vestido preto, perna aberta, a calcinha para o lado", com dois funcionários bem em frente a ela. Um desses trabalhadores também prestou depoimento e alegou que abordou a mulher e foi correspondido. Depois de ficar com ela por um tempo, segundo essa versão, os dois teriam se afastado sem manter relações sexuais.

Um dos sócios de Poubel na propriedade da casa, o capitão da PM Diego Souza, também foi ouvido na delegacia e relatou que "a mulher insistiu em falar com ele, se insinuou e disse que queria beijá-lo", mas que preferiu se afastar depois. Cerca de meia hora mais tarde, ele conta ter visto um tumulto. Em seguida, ainda conforme o relato do policial divulgado pela TV Globo, a jovem teria se aproximado novamente e afirmado estar com vergonha.

Em um vídeo divulgado em abril em suas redes sociais, Diego Souza se descreve como ex-PM e afirma ter deixado a corporação por "ter visto injustiças". A corporação, porém, informou que ele permanece nos quadros, lotado no 22º BPM (Complexo da Maré), enquanto aguarda a conclusão de um processo de desligamento a pedido. Ele foi candidato a prefeito de Cabo Frio pelo PSDB nas últimas eleições.

De acordo com o "RJTV", Fillipe Poubel ainda não prestou depoimento nas investigações sobre o estupro. No vídeo enviado à reportagem, ele afirma que vai prestar todos os esclarecimentos quando for convocado e nega ser homofóbico. "Inclusive tenho funcionários homossexuais no meu gabinete", frisa ele na gravação.

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