Jovem tem garganta cortada e está internada no CTI; família acusa namorado

Stephanny Ferreira do Carmo, de 24 anos, foi esfaqueada na madrugada deste domingo no apartamento em que mora com o namorado, Adriano Quirino da Silva, na Cidade Alta, na Zona Norte. A família, que informa ter prestado depoimento acusando o companheiro de Stephany pelo crime, acompanha a evolução do quadro da jovem, que está internada no CTI do Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha. De acordo com a Secretaria estadual de Saúde, a jovem está em estado grave.

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Segundo Ronaldo do Carmo, pai de Stephanny, esse não foi o primeiro caso de violência que a filha sofreu.

— Ele (Adriano) é muito possessivo e ciumento. Na primeira vez que ela me falou que ele puxou o cabelo dela, eu falei: "Larga, minha filha. Ele não presta". Mas sabe como filha não escuta o pai, não é? — lamenta.

O pai da jovem explica que o corte foi na garganta e que "foi Deus" quem permitiu que a filha chegasse viva ao hospital:

— Eles discutiram na rua. Em casa, ela foi tomar banho e foi quando ele a agrediu, cortou a garganta da minha filha e fugiu. Ensanguentada, ela enrolou a toalha no corpo, desceu três andares de escada, caminhou uns 200 metros, até um taxista socorrê-la e levá-la ao Hospital.

De acordo com a Secretaria estadual de Saúde, Stephanny apresenta quadro clínico grave. Ronaldo, pai da jovem, diz em tom de desespero que tem uma preocupação extra:

— Tenho um problema sério: minha filha está intubada e precisa de tomografia, mas funcionários me disseram que o aparelho está quebrado. Precisamos saber se (o corte) atingiu a traqueia.

No entanto, segundo a Secretaria de Saúde, "o tomógrafo da unidade está operante" e Stephanny não precisará ser transferida.

Filho presenciou

Segundo a família, Stephanny e Adriano se conheceram no local em que trabalhavam, em um restaurante, em Vila Valqueire, onde ela é caixa e ele garçom. No entanto, o namorado teria trocado de emprego após anunciar o relacionamento — há cerca de um ano — e se transferido para um estabelecimento vizinho.

Apesar de não estar no apartamento no momento em que a mãe foi esfaqueada, o pequeno Gabriel, de 5 anos, fruto de um relacionamento anterior, viu a mãe ensanguentada quando ela desceu as escadas, segundo o avô.

O sangue ficou espalhado pelo apartamento em que a jovem mora, com maior quantidade no banheiro, além de marcas no caminho até a porta do imóvel e nas paredes.

De acordo com a Polícia Civil, o caso foi registrado na 38ª DP (Brás de Pina) e "diligências estão em andamento para apurar as circunstâncias do fato, identificar e prender o autor".

Sequência de casos

No Rio de Janeiro, os últimos dias de 2022 foram marcados por episódios em que mulheres foram vítimas de golpes de faca. No último dia 22, em Rio das Ostras, uma grávida precisou pular do segundo andar de sua residência para que não fosse morta pelo ex-companheiro, que invadiu o apartamento.

Já em Nova Iguaçu, na última quarta-feira, uma técnica de enfermagem foi atacada pelo ex-marido, que fincou uma faca no pescoço da vítima. Christiane dos Santos Silva precisou passar por duas cirurgias no Hospital da Posse e, ao todo, levou quatro facadas.

Na Rocinha, Zona Sul do Rio, as amigas Francisca Analice Ferreira Mendes e Estephany Alves de Paiva foram encontradas mortas na última quinta-feira. Segundo a declaração de óbito de Analice, ela morreu por “lesão dos vasos do pescoço, esôfago e traqueia” causados por “ação perfurocortante”. Seu marido, Armando Mendes, foi preso pela Delegacia de Homicídos da Capital, como principal suspeito de cometer o crime.