Jovem tem turbante arrancado em festa de formatura em Minas Gerais

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Foto: Reprodução/ Facebook

MARTHA ALVES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A pedagoga e ativista de igualdade racial Dandara Tonantzin Castro teve um turbante dourado arrancado em uma festa de formatura no último final de semana no Palácio Cristal, em Uberlândia (Triângulo Mineiro).

Dandara participava da festa de formatura de amigos do curso de engenharia civil da UFU (Universidade Federal de Uberlândia). No final da festa, um jovem puxou forte o turbante da pedagoga, que pediu para ele soltar e se afastou.

"Quando passei por ele novamente, sozinha, ele puxou pela segunda vez, fiquei tão brava que gritei para ele não tocar no meu turbante", disse Dandara.

Segundo a pedagoga, o rapaz chamou outros amigos e um deles puxou novamente o turbante da sua cabeça e jogou no chão. Não satisfeitos, os agressores jogaram cerveja na jovem quando ela foi pegar o acessório.

"Quando fui catar, incrédula do que estava acontecendo, jogaram cerveja em mim. Muita cerveja. Fiquei cega, sai desesperada para achar meus amigos. Sabia que se ficasse ali poderia até ter mais agressões físicas", falou.

Os amigos da pedagoga chamaram os seguranças e avisaram que Dandara estava passando por um episódio de racismo. A jovem disse que, no momento em que os seguranças foram tirar o grupo da festa, um dos agressores alegou que não a agrediu. Ele falou "só tirei aquele turbante da cabeça dela".

A pedagoga reclama que as namoradas dos agressores foram falar com os seguranças para tirá-la também da festa. Ela ainda tentou explicar que os atos dos namorados das jovens era racismo, mas como não adiantou se afastou do grupo.

"Quando fui no banheiro ainda tive que ouvir ameaças indiretas, sobre me bater e outras coisas terríveis que não consigo nem dizer aqui. Fomos os últimos a sair por medo de fazerem alguma coisa conosco do lado de fora", explicou Dandara.

O episódio de racismo foi postado em um longo relato pela jovem nas redes sociais e compartilhado por mais de 13 mil internautas.

"Me mantive forte muito tempo. Mas o racismo é cruel. Minha lágrimas estão molhando muito a tela do celular, só de pensar que estes e tantos outros passaram impunes", escreveu Dandara, quando terminava o relato.