Jovens são menos satisfeitos com as próprias ações para sustentabilidade, aponta pesquisa no Rock in Rio

*** FOTO DE ARQUIVO *** RIO DE JANEIRO, RJ, 16-09-2017: Público aproveita o Rock Street Africa, durante o segundo dia do primeiro final de semana do Festival Rock in Rio, no Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
*** FOTO DE ARQUIVO *** RIO DE JANEIRO, RJ, 16-09-2017: Público aproveita o Rock Street Africa, durante o segundo dia do primeiro final de semana do Festival Rock in Rio, no Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em comparação aos mais novos, as pessoas acima de 45 anos afirmam sentir, em maior escala, que estão contribuindo para a preservação do meio ambiente e para a sustentabilidade, mostra pesquisa realizada na última edição do festival Rock in Rio.

O levantamento foi feito pelo Datafolha, contratado pela Suzano, empresa de papel e celulose. Ao todo foram entrevistadas, ao longo dos sete dias de evento, 2.843 pessoas com 16 anos ou mais (a idade média era de 31,4 anos). A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Uma das perguntas feitas foi sobre quanto as suas atitudes individuais estão contribuindo para a sustentabilidade e preservação ambiental. Os participantes do festival deveriam dar uma nota de 0 a 10 para suas próprias ações nesse sentido.

Entre os entrevistados de 16 a 44 anos, de 5% a 6% se classificaram com uma nota 9. Já entre os de 45 anos ou mais, cerca de 13% deu um 9 a si mesmo. Na nota 10, a situação é semelhante: de 4% a 6% das pessoas com menos de 44 anos se deram a avaliação máxima, contra aproximadamente 11% dos que tinham acima de 45 anos.

A maior parcela (31%) do público de 45 anos ou mais do Rock in Rio se classificou como um 8 em questão de contribuição à sustentabilidade. Entre os participantes de 16 a 24 anos, a maior parte (31%) se colocou como um 7 na escala sustentável, mesma nota que prevalece entre o restante da população abaixo de 44 anos questionada.

A nota média entre os públicos também reflete essa diferença de percepção. Na população com mais de 45 anos, a média foi de 7,5, enquanto na abaixo dessa idade ficou em 6,7 (para as pessoas de 16 a 24 anos) e 6,9 (nas populações de 25 a 34 anos e de 35 a 44).

Nos últimos anos tem crescido a cobrança de jovens pelo mundo por ações contra as mudanças climáticas. As já clássicas greves de sextas-feiras são um exemplo da participação jovem no movimento climático mundial.

Entre as reclamações está o fato de que as gerações anteriores estão deixando para as mais novas uma herança climática problemática, que afetará em grande medida o resto da vida das crianças e dos jovens atuais.

Uma das maiores figuras nesse movimento é a ativista sueca Greta Thunberg, de 19 anos.

O Datafolha também fez, diariamente, perguntas diferentes para os participantes do evento. Nesse caso, a margem de erro é de cinco pontos percentuais, para mais ou para menos.

Em um dos dias do festival (9 de setembro), 407 pessoas foram questionadas sobre quem são os principais responsáveis por cuidar da natureza. A resposta majoritária (44%) responsabilizou os cidadãos. Cerca de 88% afirmou que os brasileiros fazem menos do que deveriam para proteger o meio ambiente.

Em outro dia do Rock in Rio (8 de setembro), o Datafolha perguntou a 405 frequentadores quais são as ações mais importantes para a preservação ambiental. Reciclar o lixo foi a mais citada, seguido por economizar água e usar produtos de materiais de origem sustentável.

Outra pesquisa realizada no festival, em 4 de setembro, questionou sobre a preocupação com emissões de gases-estufa, responsáveis pelas mudanças climáticas, relacionadas a hábitos de consumo.

Cerca de 78% dos mais jovens (de 16 a 24 anos) do festival disse não levar em consideração as emissões associadas a produtos ou serviços que usa. Já entre o público de 45 anos ou mais, o valor foi menor, de 64%.

No Brasil, as principais fontes de emissões de gases-estufa são o desmatamento (especialmente na Amazônia) e a agropecuária (uma considerável fatia aqui tem a ver com a criação de gado, devido ao processo de fermentação entérica na digestão bovina). Nos últimos anos, especialmente após o início do governo Jair Bolsonaro (PL), o desmate aumentou na Amazônia.

Na pesquisa feita no dia 8, somente 13% dos entrevistados citaram redução de consumo de carne e comprar menos como formas de preservação e sustentabilidade.