Joyce Moreno lança novo livro autobiográfico e álbum que só estava disponível no Japão

Larissa Medeiros*
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Divulgação / Leo Aversa
Divulgação / Leo Aversa

RIO — Inerentes à carioca Joyce Moreno, o feminino e a arte são reunidos por ela no livro de crônicas e memórias “Aquelas coisas todas” (Numa Editora), com lançamento marcado para segunda-feira. A cantora, compositora, arranjadora e instrumentista apresenta um novo olhar sobre “Fotografei você na minha Rolleiflex”, publicado em 1997, além de revelar textos atuais sobre carreira, vida pessoal e amigos.

Inicialmente, a ideia do novo projeto tinha como base fazer uma releitura da primeira obra, sobre a vivência de uma menina compositora de 19 anos, recém-chegada à MPB. Porém com as alterações sugeridas por artistas mencionados em “Rolleiflex” e as muitas histórias vividas após o período, Joyce decidiu dar continuidade a seu relato na segunda metade do livro, capítulo que inclusive recebeu um título próprio: “Tudo é uma canção”.

— Essa parte fala de coisas que se passaram desde o momento em que minha música se tornou mais conhecida, das minhas interações com artistas de vários outros países e de assuntos que, para mim, são muito caros, como a questão feminina — descreve Joyce, cujo primeiro LP, de 1968, trazia composições autorais e músicas de feras como Caetano Veloso, Paulinho da Viola e Vinicius de Morais.

De acordo com a cantora, o nome dado para esta seção se une à projeção e ao sentimento que tem sobre a MPB que, segundo ela, oferece resposta para tudo. Joyce também discorre em seu livro sobre o nascimento da música popular no século XX e os limites que o gênero precisou ultrapassar para conquistar “seu lugar ao sol” no século XXI.

— A MPB não se adequou, mas sim evoluiu. Cada vez mais, em todos os seus formatos, ela se transforma num clássico, que sobrevive — analisa.

Entretanto, aos 72 anos e com mais de 50 como artista, Joyce avalia com pessimismo a valorização da arte atualmente.

— Falta conquistar o respeito que merecemos. E isso vale para toda a classe artística brasileira. Como temos visto neste momento, a arte é o que sustenta a saúde mental de uma população — afirma.

Além da carreira, no livro a artista lembra sua infância em Copacabana. Há 24 anos morando no Humaitá, ela diz que, apesar de estar longe dos palcos, vem encarando com tranquilidade o isolamento social na pandemia.

— Como adoro minha casa, fico bem. Com as viagens e turnês eu tinha menos tempo para ficar por aqui. Tem sido um período calmo. Somos ultracuidadosos e praticamos o isolamento social direto — diz.

Com fotos de arquivos pessoais e histórias envolvendo personagens marcantes da MPB, como Vinicius, Tom Jobim, Elis Regina, João Gilberto, Torquato Neto e Gonzaguinha, o livro faz um elo entre o passado e o presente com narrativas que se entrelaçam e se renovam no decorrer da leitura.

Devido à pandemia, o lançamento será on-line. Além do livro, Joyce apresentará seu álbum mais recente, já disponível desde 2017 no Japão, intitulado “Fiz uma viagem” e dedicado à música de Dorival Caymmi. Porém, este sairá somente nas plataformas digitais, diferentemente do livro, que será lançado no formato físico.

* Estagiária, sob a supervisão de Milton Calmon Filho