Juíza do Arkansas ordena realização de necropsia em preso executado

O preso condenado à morte, e executado no Arkansas, Kenneth Williams, em imagem de 17 de março de 2017

Uma juíza federal ordenou às autoridades do Arkansas que realizem uma necropsia do corpo de um preso que foi executado, cujo advogado descreveu a morte como "horripilante", com tremedeiras e convulsões durante a injeção letal.

A juíza Kristine Baker, do tribunal do distrito leste do Arkansas, emitiu na sexta-feira a ordem, menos de 24 horas depois que o estado executou Kenneth Williams, de 38 anos, culpado por múltiplos assassinatos.

Trata-se do último de quatro presos executados em uma semana, as primeiras execuções desde 2005 neste estado conservador.

Autoridades do Arkansas disseram que o apertado calendário das execuções foi necessário porque a reserva que tinham de midazolam, o sedativo usado na injeção letal, vence no fim de abril.

Além da necropsia, a juíza ordenou que as autoridades do Arkansas preservem exames de sangue e do tecido do corpo de Williams.

O motivo da ordem de emergência "para a preservação da evidência" foi solicitado por Jason McGehee, outro preso que está no corredor da morte e que foi programado para ser executado na quinta-feira.

O advogado Shawn Nolan indicou que seu cliente, Williams, sofreu durante sua execução. "Três minutos após o início da execução, nosso cliente começou a tossir, convulsionar e se sacudir", disse.

Nolan e a organização American Civil Liberties Union pediram que investiguem se a execução de quinta-feira à noite foi morte por tortura.

O advogado considerou como um "encobrimento" o comentário do porta-voz do governador do Arkansas, Asa Hutchinson, no qual sustentou que a agitação física foi "uma reação muscular involuntária" causada por um dos medicamentos.