Juíza investiga perda de dados do celular de homem que atacou Cristina Kirchner

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A informação de que o celular de Fernando Andrés Sabag Montiel, preso por tentar atirar contra a vice-presidente Cristina Kirchner, teve os dados apagados enquanto estava sob análise da polícia gerou um escândalo na Argentina, com atritos entre duas divisões das forças de segurança e a convocação de peritos pelo tribunal que cuida do caso.

Montiel, um brasileiro de 35 anos com antecedentes criminais, foi preso após tentar atirar contra o rosto de Cristina quando ela chegava em casa, no bairro da Recoleta, em Buenos Aires, na quinta-feira (1º).

Segundo os jornais La Nación e El Clarín, após uma série de tentativas frustradas de desbloquear o celular que estava com ele, da marca Samsung, a Polícia Federal enviou o aparelho para a Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA), que informou ter softwares mais modernos para acessar informações.

Quando os peritos da PSA conseguiram abri-lo, porém, teria surgido a mensagem "telefone resetado de fábrica", o que significa que os dados foram apagados da memória do celular.

A investigação do conteúdo do telefone de Sabag foi ordenada pela Justiça para apurar se ele agiu individualmente ou como parte de uma organização.

Nesta segunda-feira (5), especialistas em tecnologia da Polícia Federal e da Polícia de Segurança Aeroportuária foram convocados com urgência pela juíza María Eugenia Capuchetti, responsável pelo caso, para determinar se o conteúdo pode ser recuperado.

Confiscado na noite de quinta-feira após a prisão de Sabag Montiel, o celular ficou guardado inicialmente no cofre do tribunal e depois teria sido levado em um carro, sob escolta, para o laboratório da PSA.

Fontes disseram ao La Nación que o aparelho estava em um envelope e no modo avião, para que não recebesse interferências. A PSA afirmou que recebeu o celular já formatado, como se fosse novo, sem nenhum dado armazenado.

Nesta segunda-feira (5), o ministro da Segurança, Aníbal Fernández, negou que a Polícia Federal tenha manipulado o celular. O ministro disse ainda que os protocolos de segurança foram cumpridos no dia da tentativa de ataque, mas acrescentou que "a primeira coisa" que fez após o ocorrido foi colocar sua renúncia à disposição do presidente Alberto Fernández.

Em entrevista à rádio El Destape, Horacio Pietragalla, secretário de Direitos Humanos do governo, descreveu o evento como "catastrófico".

"Isso é uma loucura, se em um caso como esse, eles acabam deletando dados importantes de um celular, bem, vamos fechar tudo", disse.

Nesta segunda, um homem foi detido após publicar um vídeo no YouTube intitulado "Nosso total apoio ao herói brasileiro que tentou fazer justiça aos argentinos". José Dermán, da cidade de La Plata foi preso em um centro de ultradireita. Ele será investigado por "intimidação pública" e "incitação à violência".

Dermán já tin tinha sido preso por outro caso de assédio digital, após várias queixas contra ele.