Juíza do Reino Unido rejeita extradição de Assange para os EUA

Michael Holden
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Cartaz contra extradição de Julian Assange do lado de fora de tribunal em Londres

Por Michael Holden

LONDRES (Reuters) - Uma juíza britânica determinou na segunda-feira que o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, não deve ser extraditado aos Estados Unidos para enfrentar acusações criminais, incluindo violação de uma lei de espionagem, dizendo que ele estaria sob risco de suicídio devido a problemas de saúde mental.

Autoridades norte-americanas provavelmente apelarão da decisão à mais alta corte de Londres. Em última análise, o caso poderia ir para a Suprema Corte do Reino Unido.

Os Estados Unidos acusam o australiano Assange, de 49 anos, de 18 crimes relacionados à divulgação pelo WikiLeaks de uma vasta coleção de registros militares confidenciais dos EUA e documentos diplomáticos que, segundo promotores, colocaram vidas em perigo.

Os advogados dele argumentaram que toda a acusação foi politicamente motivada, promovida pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que a extradição de Assange representaria uma grave ameaça ao trabalho dos jornalistas.

Embora a juíza Vanessa Baraitser tenha rejeitado as alegações de que a extradição deveria ser barrada porque violaria a liberdade de expressão de Assange, ela afirmou que havia um risco real de suicídio se ele fosse mantido em uma prisão de segurança máxima dos EUA.

Assange, disse ela, sofreu por vezes de depressão grave e foi diagnosticado com síndrome de Asperger e autismo. Meia lâmina de barbear foi encontrada em sua cela de prisão em Londres em maio de 2019, e ele contou à equipe médica sobre pensamentos suicidas.

"Eu acredito que o risco de Assange cometer suicídio, se uma ordem de extradição for feita, é substancial", disse Baraitser em sua decisão, entregue no tribunal de Old Bailey, em Londres.

Usando um terno azul-marinho e máscara, Assange demonstrou pouca emoção com a decisão.