Juan Saliquet dá vida a sua "Galeria de Retratos" com jogo de luzes e volumes

Barcelona, 6 abr (EFE).- O artista madrilenho Juan Saliquet volta a Barcelona após uma década com sua "Galeria de Retratos", uma exposição na qual as fotos ganham vida graças a um jogo de luzes e volumes.

"São obras vivas, quando são colocadas de um lado, o artista já não importa", afirmou à Efe o autor, que desembarca na cidade catalã após um périplo de três anos por Alemanha, Áustria e Suíça.

O lugar escolhido para o retorno foi o Espronceda Center for Art & Culture, um espaço no qual trabalham e expõem vários artistas contemporâneos como a pintora cazaque Tolkyn Sakbayeva, mulher e musa do artista.

Saliquet ressaltou que as reminiscências industriais deste espaço barcelonês o empurraram sem pensar duas vezes a expor nele.

De fato, a encenação de "Galeria de Retratos" é minimalista: o espaço expositivo fica praticamente às escuras e a iluminação parte de pequenos focos que iluminam as diferentes obras.

Nelas, Saliquet se aproxima do corpo através de retratos em formato fotográfico que secciona a fim de que deixem de ser superfícies lisas e se transformem em uma peça tridimensional, parecida com um baixo-relevo.

Neste contexto, a luz tem um papel preponderante, já que, em função da intensidade ou da tonalidade que lhe é aplicada, assim como do ângulo que o observador adota, a interpretação pode variar extremamente.

"Trabalho a partir da intuição, não há nada pensado. É totalmente improvisação, tento tirar o volume, e a técnica sim vem um pouco mais da abstração geométrica", acrescentou.

O tratamento de muitas das fotos selecionadas, que pertencem a diferentes séries, evocam frequentemente o Quattrocento italiano, apesar de também poderem ser apreciadas influências renascentistas ou barrocas na composição.

Um dos projetos futuros do artista é fazer uma exposição inspirada no barroco espanhol, que Saliquet gostaria de expor no Museu Nacional de Escultura Policromada de Valladolid.

Em várias das peças barrocas do artista aparece sua companheira, Tolkyn, que trabalha para conseguir destaque em Madri após ter conquistado em mais de uma ocasião o público catalão.

Suas pinturas coloridas são sua marca, ao mesmo tempo que sua história de superação: apesar de ter nascido com uma paralisia cerebral que a deixou com poucas esperanças de sequer poder pegar um lápis, se graduou no Colégio de Artes Aplicadas de Tansikbayev com um diploma Cum Laude e é uma das artistas com mais projeção do Cazaquistão. EFE