Judoca Antônio Tenório diz ter 'vencido várias Paraolimpíadas contra Covid'

·2 minuto de leitura
*ARQUIVO* RIO DE JANEIRO/RJ BRASIL. 10/09/2016 -O atleta do Brasil Antonio Tenorio. (foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
*ARQUIVO* RIO DE JANEIRO/RJ BRASIL. 10/09/2016 -O atleta do Brasil Antonio Tenorio. (foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dos maiores nomes da história do esporte paraolímpico brasileiro, Antônio Tenório, 50, deixou o Hospital Yes, em Itapevi (41 km de São Paulo), nesta quinta-feira (16). Ele passou 17 dias internado por causa da Covid-19.

O judoca procurou uma Unidade Básica de Saúde em 28 de março. Os primeiros dias foram de sintomas leves, mas depois ele sentiu falta de ar e foi transferido para a UTI. Por 15 dias, precisou de ventilação artificial e chegou a ter 80% dos pulmões comprometidos.

Nenhum paratleta brasileiro fora da natação e do atletismo tem tantas medalhas quanto ele. Desde Atlanta, em 1996, subiu ao pódio em todos os Jogos. Na primeira vez foi ouro, assim como aconteceu em Sydney-2000, Atenas-2004 e Pequim-2008. Em Londres-2012, ficou com o bronze. Na Rio-2016, foi prata.

"A sensação é de ter nascido novamente, de ter ganhado várias Paraolimpíadas contra a Covid-19. Sair com vida do hospital depois de ter passado duas semanas na UTI com 80% dos pulmões comprometidos foi uma das melhores sensações que já tive. Foi uma lição de vida tremenda para mim", disse Tenório.

Em entrevista à Folha de S.Paulo em novembro do ano passado, ele já se preocupava com a diferença nos treinos preparatórios para os Jogos entre os brasileiros e judocas de outros países. O período no hospital será um contratempo a mais para alguém que já imaginava chegar ao Japão em 60% das condições ideais. Os planos de Tenório são disputar os Jogos em Tóquio neste ano e os de Paris, em 2024.

"Posso dizer que esse vírus que está assolando o mundo é um dos adversários mais difíceis que o mundo já teve, não só o Tenório", completa.

A ideia dele é disputar o GP de Baku, no Azerbaijão, no fim de maio, apesar do pouco tempo de preparação. Tenório, que tem deficiência visual, compete na categoria até 100 kg.