Juiz determina que secretaria identifique presos que usaram banheiro de cadeia para relações sexuais

·4 min de leitura

O juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) do Rio, Bruno Rulière, determinou que a Secretaria de Administração Penitenciária identifique os presos que foram flagrados por câmeras de segurança usando o banheiro do pátio da penitenciária Jonas Lopes de Carvalho, Bangu 4, para ter visitas íntimas no dia 23 do último mês. A prática é proibida.

Na última segunda-feira, Rulière afastou o diretor e o subdiretor de Bangu 4, após ter verificado em imagens de câmera de segurança que um grupo de 12 detentos teve visitas íntimas no parlatório — espaço na unidade prisional destinado para essa regalia — sem que tenham autorização. Nove deles já foram identificados e são traficantes que têm ou já tiveram posição de chefia em uma das facções criminosas do Rio. O magistrado também determinou que a secretaria verifique quem são os outros três detentos.

O parlatório é o local onde as visitas íntimas ocorrem, mas é preciso que os presos tenham autorização prévia. No dia 23 de dezembro, quando as irregularidades ocorreram, 19 presos tinham a autorização para a regalia. Deles, 16 foram para a visita íntima, além de outros 15 presos que não estavam na listagem. No livro de ocorrências de Bangu 4, ao qual o EXTRA teve acesso, foram registrados pelo policial penal responsável apenas as 16 visitas autorizadas. As restantes não entraram no documento.

Os presos com direito a visita íntima vão para um local específico — o parlatório — para poder manter relações sexuais com suas companheiras. Os encontros acontecem no horário em que os demais visitantes estão no presídio. Quem não tem direito a esse benefício fica no pátio de visitação. Os banheiros desse local, segundo apuração da VEP, também foram usados para visitas íntimas.

Além do diretor e do subdiretor, o juiz Bruno Rulière, da VEP, ainda determinou que os policiais penais que estavam de plantão no dia 23 de dezembro sejam realocados em outras unidades prisionais. Imagens do circuito interno da penitenciária foram apreendidas pela vara na última sexta-feira. As gravações foram analisadas e foi constatado, segundo o magistrado, a total falta de controle da unidade prisional naquele dia.

"A dinâmica dos fatos ora noticiados revela que as irregularidades não são obra de exclusiva ação do preso caracterizadora de falta grave e/ou de eventual e episódica negligência de servidores da unidade. A hipótese indica atos gravíssimos e, possivelmente, criminosos de servidores da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária, que permitiram (por circunstâncias ainda não sabidas) que presos usufruíssem de regalias indevidas", escreveu Rulière na decisão.

A denúncia recebida pela VEP aponta que os presos pagaram R$ 3 mil a policiais penais para terem visitas íntimas, o que também será apurado.

"Diante disso, é séria a suspeita no sentido de que ocorreram gravíssimas irregularidades administrativas e crimes por parte de servidores da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária. Em outras palavras, os dados produzidos revelam que, no dia dos fatos, instalou-se um ambiente de inaceitável desordem na unidade prisional, nutrido, no mínimo, por uma grotesca omissão dos servidores do estabelecimento penal e, possivelmente, por uma atuação criminosa desses agentes públicos em conivência com os presos", afirmou o juiz da VEP na decisão.

Procurada, a Seap informou que a corregedoria do órgão instaurou procedimento de apuração para investigar a possível entrada irregular de 15 visitantes para a realização de visita íntima na Penitenciária Jonas Lopes de Carvalho (Bangu IV), no Complexo de Gericinó, em Bangu, no último dia 23 de dezembro. As investigações feitas pela Seap foram iniciadas dia 4 de janeiro, logo após o recebimento da denúncia. Nesta terça-feira, dia 11, diretor, subdiretor e chefe de segurança da unidade foram exonerados e nove presos suspeitos de estarem envolvidos no caso foram transferidos para a penitenciária de segurança máxima Laércio da Costa Pelegrino (Bangu 1).

A Seap ressaltou que não compactua com qualquer irregularidade no interior das unidades prisionais e que a corregedoria atuará, com o rigor que a lei permitir, para identificar e punir os envolvidos.

1) Luiz Augusto Ribeiro Campos, vulgo: "Tribolado da Cidade Alta";

2) Marcelo Santos das Dores, vulgo "Menor P";

3) Thiago de Souza Cheru, vulgo "Dorei";

4) Juliano Castro Console;

5) Thiago Rodrigues da Silva, vulgo "TH";

6) Anderson da Silva Verdan, vulgo "Bamba";

7) Luiz Alberto Santos de Moura, vulgo "Bob do Caju";

8) Emerson Brasil da Silva, vulgo "Raro";

9) Tiago Vinícius Vieira, vulgo "Dourado".

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos