Juiz diz que laudos da Carne Fraca não apontavam carne imprópria para consumo

Funcionários trabalham durante visita técnica do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, em fábrica da JBS, em Lapa (PR) 21/03/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino

(Reuters) - O juiz Marcos Josegrei, responsável pelas decisões judiciais da operação Carne Fraca, disse nesta sexta-feira que os dois laudos que fazem parte das investigações não apontam carne imprópria para o consumo e disse que o principal foco da operação é a corrupção de servidores responsáveis pela fiscalização de frigoríficos.

Em entrevista ao canal de notícias GloboNews, o juiz também afirmou que a conversa telefônica interceptada nas investigações que, na interpretação da Polícia Federal, indicava a adição de papelão na carne, foi "irrelevante" para as investigações e não foi considerada em sua decisão que determinou mandados de prisão, busca e apreensão e condução coercitiva da operação.

"Esses laudos demonstraram inconformidade, eu não estou dizendo que eles demonstraram que a carne era imprópria para consumo, mas esses laudos demonstraram que elas estavam em desacordo com o que manda a lei, com a licença que eles possuíam para produzir", disse Josegrei à emissora.

A BRF, empresa que teve funcionários em conversas telefônicas interceptadas em que se falava de papelão, disse no último fim de semana em comunicado que a Polícia Federal errou na interpretação da conversa, e afirmou que ao falarem em papelão os funcionários tratavam da embalagem do produto, não de seu conteúdo.

A operação Carne Fraca, deflagrada pela PF há uma semana, levou vários países a imporem restrições à importação da carne brasileira e também fez com que empresas brasileiras reduzissem sua produção.

(Por Eduardo Simões)