Juiz eleitoral impede filmagem do momento do voto de candidata Renata Souza

Camilla Pontes
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RIO — A candidata à prefeita do Rio, Renata Souza (PSol), foi impedida de ser filmada no momento do voto, na manhã deste domingo. Renata vota no CIEP Elis Regina, no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio e foi surpreendida com a decisão do juiz Sérgio Roberto Emílio Louzada, titular da Zona Eleitoral que não autorizou a entrada da imprensa por questões sanitárias.

“Liberar a filmagem em outras seções da cidade e barrar na favela é um entendimento classista e antidemocrático. Por que outros candidatos puderam ter cobertura da imprensa e eu não? Sou preta e favelada, é o local onde voto. Essa decisão mostra o viés racista que atinge a justiça e todos as esferas da nossa sociedade", criticou Renata por meio de sua assessoria.

Renata Souza tentou reverter a decisão, mas não teve sucesso. Louzada argumentou que a medida foi para evitar aglomeração no local e considerou a permanência da imprensa como inoportuna e inconveniente:

"Nada a reconsiderar. Como já afirmado, não entendo oportuno e tampouco conveniente o ingresso e permanência de quaisquer outras pessoas além de eleitores e representantes de partidos políticos nos locais de votação, notadamente equipes jornalísticas que sempre atraem a atenção dos transeuntes, fomentando aglomerações indesejáveis nos locais destinados ao livre trânsito dos cidadãos e agentes públicos à serviço da justiça eleitoral. O relevante trabalho dos repórteres deverá ser realizado nos logradouros e vias públicas, com relação às seções eleitorais desta 161ª zona eleitoral", informou o juiz em sua justificativa enviada para a candidata.

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), desembargador Cláudio Brandão de Oliveira, comentou o caso durante a coletiva de imprensa realizada no início da tarde deste domingo e disse que o juiz Sérgio Roberto Emílio Louzada fundamentou a decisão de barrar a imprensa na questão sanitária, e não foi uma decisão pessoal contra a candidata.

— Cada juiz eleitoral define se será possível a realização de filmagem nos locais. E muitos, por razão da pandemia, não permitiram que houvesse a filmagem. Aí houve uma candidata à prefeita aqui do município do Rio que não conseguiu ser filmada no momento em que ela votava. Mas a decisão do juiz já havia sido tomada, está fundamentada na questão sanitária e não foi uma decisão para essa candidata. Foi uma decisão que ele tomou de um modo geral e muitos juízes entenderam que não seria prudente, nesse momento, permitir que as pessoas ingressem no local de votação. A gente está tendo todo o cuidado com a saúde dos eleitores e com os colaboradores, então uma filmagem em uma sala pequena pode representar riscos e por isso que o juiz decidiu — disse o presidente do TRE-RJ.