Juiz homologa delação de suspeito de hackear Moro e procuradores

FÁBIO FABRINI
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 24.07.2019 - Walter Delgatti Neto, um dos 4 suspeitos de hackear celulares, é levado para a PF em Brasília (DF). (Foto: Mateus Bonomi/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília, homologou a delação premiada de Luiz Henrique Molição, 19, suspeito de integrar um grupo de hackers que invadiu, no aplicativo Telegram, contas de autoridades públicas, entre elas o ministro da Justiça, Sergio Moro, e procuradores da Lava Jato.

Um dos presos na Operação Spoofing, da Polícia Federal, Molição é apontado como cúmplice de Walter Delgatti Neto, o Vermelho --considerado o mentor do esquema-- nos ataques.

Molição teria armazenado parte das mensagens capturadas nas contas do aplicativo e feito contatos com o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil.

Com base em material obtido do grupo, o Intercept iniciou em junho série de reportagens sobre diálogos de Moro e integrantes da Lava Jato que lançaram dúvidas sobre a imparcialidade do ex-juiz e dos procuradores.

A Folha de S.Paulo e outros veículos de imprensa também publicaram notícias a respeito, em parceria com o site.

Em depoimento prestado à PF em setembro, Molição disse que Delgatti tentou vender as mensagens que obteve a Greenwald, que se recusou a pagar por elas.

As informações que ele apresentou na delação são mantidas em sigilo enquanto o caso estiver sob investigação.

O juiz da 10ª Vara fixou um prazo de 15 dias, contados da última quinta-feira (28), para que a Polícia Federal conclua o inquérito sobre o caso e o remeta ao Ministério Público Federal, que decidirá se denuncia ou não os envolvidos.

Com a colaboração, homologada na noite de segunda (2), Molição deve deixar a prisão.

Segundo reportagem da revista Veja, em sua delação ele se comprometeu a identificar mais três pessoas que teriam participado dos ataques virtuais.