De juiz linha-dura a pré-candidato barrado em SP, a trajetória de Moro em 17 fases

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Ex-juiz, ex-superministro da Justiça, ex-presidenciável e ex-candidato a uma vaga no Congresso por São Paulo. A carreira jurídico-política de Sergio Moro atravessou, muitas vezes como protagonista, momentos-chave da vida nacional na última década. Do juiz linha-dura da Lava-Jato que condenava e prendia poderosos a um político novato com domicílio eleitoral barrado em São Paulo, sem saber como concorrerá na próximas eleições. Desde que rompeu com o presidente Jair Bolsonaro e ensaiou uma pré-candidatura presidencial, Moro acumula derrotas no dia a dia do jogo político. De volta ao Paraná, enfrentará resistências dentro do próprio partido, o União Brasil, para concorrer ao Congresso.

Moro trabalhou em casos de grande repercussão, como o escândalo do Banestado, envolvendo remessas ilegais ao exterior; a Operação Farol da Colina, sobre a rede de lavagem de dinheiro montada por doleiros no país; e na Operação Fênix, quando decretou a prisão de Fernandinho Beira-Mar. O juiz ainda assessorou a ministra do STF Rosa Weber no julgamento do mensalão.

Titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, Moro ganhou fama de juiz linha-dura em 2014 e condenou figuras do alto escalão da política e do empresariado, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, e o empresário Marcelo Odebrecht.

Em 16 de março de 2016, telefonemas vazados mostram Dilma dizendo a Lula que estaria lhe enviando termo de posse como ministro de Estado para ele usar caso fosse necessário, em suposta tentativa de evitar a prisão do ex-presidente. A divulgação intensificou a crise no governo Dilma e levou milhares de manifestantes para a porta do Palácio do Planalto. A nomeação de Lula foi impedida pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, que viu desvio de finalidade na nomeação por causa do áudio. Por ser presidente, eventual indício de crime de Dilma deveria ser remetido à Procuradoria-Geral da República ou ao STF. Depois, Moro admitiu a possibilidade de ter errado.

Em primeiro depoimento a Moro, em 10 de maio de 2017, ex-presidente negou ser dono do triplex no Guarujá e atacou a imprensa. Moro negou desavenças com Lula. “Eu sou o juiz. Estou aqui para ouvi-lo e proferir julgamento ao final do processo”.

Por corrupção e lavagem de dinheiro, Moro manda prender Lula em 5 de abril de 2018. Então condenado em duas instâncias da Justiça no caso do triplex em Guarujá (SP), o ex-presidente se entregou em 7 de abril, após ficar dois dias na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Antes, discursou a apoiadores contra decisões do Judiciário: “Quem quiser votar com base na opinião pública largue a toga e vá ser candidato a deputado”.

Seis meses depois de decretar a prisão de Lula, em 1º de novembro de 2018, ex-ministro aceitou o convite do presidente eleito, Jair Bolsonaro, para chefiar o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Na ocasião, em que o ex-juiz viajou ao Rio para se encontrar com o presidente eleito em sua casa na Barra, Moro disse que aceitou o convite “com certo pesar”, pois teria que pedir a exoneração da Justiça Federal, onde trabalhou por 22 anos. Mas que a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado o levou a tomar a decisão.

Em 13 de fevereiro de 2019, Moro montou uma operação de guerra para transferir, ao lado do governo de São Paulo, 22 presos ligados à maior facção criminosa do país da penitenciária de Presidente Venceslau para presídios federais. O episódio foi citado diversas vezes por Moro durante a pré-campanha deste ano.

Uma das primeiras derrotas da gestão de Moro foi a transferência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Justiça para a Economia. Meses depois, o então ministro viu sua principal bandeira, o pacote anticrime, ser desidratada pelo Congresso e sancionada por Bolsonaro sem uma série de vetos recomendados. Isso aconteceu num intervalo de tempo entre 9 de maio e 25 de dezembro de 2019.

Em 24 de abril de 2020, Moro deixou o governo após Bolsonaro exonerar o diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo. Segundo ele, não havia causa aceitável para troca e tratava-se de uma interferência política na PF. O episódio abriu uma crise no governo Bolsonaro e levou à abertura de um inquérito a pedido da Procuradoria-Geral. Este ano, no entanto, a PF concluiu que não houve crime na conduta de Bolsonaro.

Série de reportagens conhecida como “Vaza-Jato”, publicada pelo site The Intercept Brasil, revela conversa entre ex-juiz e procuradores em aplicativos de mensagens, mostrando que Moro orientou investigações da Lava-Jato.

Por oito votos a três, em 15 de abril de 2021, o Supremo confirmou anulação das condenações de Lula na Lava-Jato por considerar que a 13ª Vara Federal de Curitiba era incompetente para julgar o ex-presidente. Com isso, Lula se tornou novamente elegível.

Com discurso marcado por críticas a Bolsonaro e Lula, em 10 de novembro de 2021, o ex-juiz se filiou ao Podemos na perspectiva de ser o nome da terceira via nas eleições presidenciais. Enfrentou, no entanto, oposição de parlamentares bolsonaristas e daqueles que defendiam uso do Fundo Eleitoral para aumentar a bancada no Congresso. Em 31 de março, desembarcou da sigla sem avisar a presidente Renata Abreu.

TCU apura se houve conflito de interesse na contratação de Moro pela consultoria Alvarez & Marsal, de quem ele afirma ter recebido US$ 45 mil por mês. A empresa atuou na recuperação judicial do grupo Odebrecht e da OAS, alvos da Operação Lava-Jato. O ex-ministro chegou a dizer que estava sendo vítima de abuso de poder da parte do tribunal.

Ex-juiz se filiou ao União Brasil em 31 de março último sob promessa de abrir mão da candidatura presidencial e, segundo um dos dirigentes da sigla, o combinado era concorrer a uma vaga de deputado federal. Desde então, Moro tenta sem sucesso emplacar uma candidatura ao Senado. Além disso, há quem diga ser arriscado eleger Moro senador, já que ele poderia mudar de partido a qualquer momento. Ele vira pessoa non grata na sigla.

Em 28 de abril passado, o Comitê de Direitos Humanos da ONU concluiu que o ex-presidente Lula teve seus direitos políticos violados e que Moro foi parcial. Em junho de 2021, por sete votos a quatro, o STF votou no mesmo sentido, ao confirmar decisão da Segunda Turma que declarou Moro parcial ao condenar Lula.

Ex-juiz se tornou réu em ação popular movida por deputados do PT que pedem que ele seja condenado a ressarcir os cofres públicos por supostos prejuízos causados pela Lava-Jato à economia brasileira e à Petrobras.

Por quatro votos a dois, o tribunal entendeu que ex-ministro não conseguiu comprovar vínculo com a cidade de São Paulo, o que é necessário para a troca de domicílio. Assim, ele não poderá ser candidato a nenhum cargo pelo estado, como estava planejando. Assim, o ex-juiz tentará disputar a eleição pelo Paraná.

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