Juiz manda prender aliados de Bolsonaro por "negligência e omissão"

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ordenou, esta terça-feira, a prisão de Anderson Torres, ex-secretário de Segurança do Distrito Federal e ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, e de Fábio Augusto Vieira, ex-comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal, por alegadas responsabilidades nos tumultos em Brasília, no domingo.

De acordo com o portal brasileiro G1, a Polícia Federal cumpriu o mandado durante a tarde na casa de Anderson Torres, que, até domingo, era o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, quando manifestantes radicais invadiram as sedes dos três poderes do Brasil. O responsável máximo pela segurança da capital no momento da invasão, que se encontrava de férias nos Estados Unidos, já anunciou que se iria entregar à justiça.

Anderson Torres tinha sido exonerado, no domingo, pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que horas depois também seria suspenso do cargo por 90 dias numa decisão tomada pelo mesmo juiz.

O coronel Fábio Augusto Vieira era o responsável da operação da Polícia Militar durante os ataques feitos por milhares de extremistas no domingo, em Brasília, e foi exonerado no dia seguinte.

A decisão foi tomada por Alexandre de Moraes por considerar que todos os visados terão atuado com negligência e omissão. Horas antes desta decisão, o juiz do STF disse que "as instituições vão punir todos os responsáveis. Os que praticaram os atos, os que os financiaram, os que os incentivaram, por ação ou omissão".

Já Flávio Dino, ministro da Justiça do Brasil tem dado detalhes sobre as múltiplas investigações em curso e afirma terem sido encontradas ligações entre autocarros que transportaram milhares de pessoas para a capital brasileira, no domingo, e grandes empresários no Brasil.

Ministério Público pede bloqueio dos bens de Jair Bolsonaro

O Ministério Público pediu ao Tribunal de Contas do Brasil o bloqueio de bens do ex-presidente Jair Bolsonaro na sequência do ataque aos três poderes por parte dos seus apoiantes mais radicais.

O procurador-geral adjunto do Ministério Público perante o Tribunal de Contas, Lucas Rocha, pediu também que a sanção fosse estendida ao governador suspenso de Brasília, Ibaneis Rocha, e ao seu antigo secretário de segurança, Anderson Torres, um leal aliado de Bolsonaro.

Lucas Rocha justificou a sua exigência "devido ao processo de prestação de contas e ao vandalismo ocorrido" na capital brasileira a 08 de janeiro, "que causou inúmeros danos à tesouraria federal".

Brasília alvo de limpeza em massa

A conturbada série de detenções e buscas contrasta com a tranquilidade de volta Palácio do Planalto, em Brasília, onde centenas de funcionários limpam e recuperam a Casa do Congresso, os edifícios do Supremo Tribunal e do Palácio Presidencial, bem como as ruas da capital.

Numa tentativa de transmitir uma mensagem de que a ordem está a ser restaurada no país, o Presidente Lula da Silva está de volta à capital brasileira, onde tem estado a trabalhar.