Juiz nega pedido de Flávio Bolsonaro para tirar do ar matérias sobre compra de imóveis

Senador Flávio Bolsonaro (Foto: SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)
Senador Flávio Bolsonaro (Foto: SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)

O juiz Aimar Neues de Matos, da 4ª Vara Criminal de Brasília, rejeitou o pedido da defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para retirar do ar duas reportagens do portal UOL sobre o uso de dinheiro vivo para a compra de imóveis pela família do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os jornalistas Juliana Dal Piva e Thiago Herdy revelaram que quase metade do patrimônio em imóveis do presidente e de seus familiares mais próximos foi construída nos últimos 30 anos com uso de dinheiro em espécie.

Desde 1990, quando Bolsonaro entrou na política, até hoje, ele, irmãos e filhos negociaram 107 imóveis. Do total, pelo menos 51 foram adquiridos total ou parcialmente com uso de dinheiro vivo, segundo declaração dos próprios integrantes do clã.

As compras registradas nos cartórios com o modo de pagamento “em moeda corrente nacional”, que significa “repasses em espécie”, totalizaram R$ 13,5 milhões. Porém, atualmente esse dinheiro vale bem mais: Em valores corrigidos pelo IPCA, o volume equivale a R$ 25,6 milhões.

Além disso, não é possível saber como foi feito o pagamento de 26 imóveis, que somaram pagamentos de R$ 986 mil, ou R$ 1,99 milhão em valores corrigidos.

Segundo informações do jornalista Graciliano Rocha, do portal UOL, o advogado Eduardo Reis Magalhães, que representa o filho mais velho do mandatário, ajuizou uma queixa-crime contra os repórteres Juliana Dal Piva e Thiago Herdy por alegada prática de difamação e calúnia. O juiz rejeitou a abertura de processo criminal contra os jornalistas.

Na segunda-feira (19), o portal UOL também revelou que Flávio Bolsonaro usou R$ 3 milhões em espécie para pagar despesas pessoais, funcionários e impostos. Ele tem ainda 16 imóveis comprados parcialmente com dinheiro vivo.