Juiz pede que MP investigue sobrevoo com helicóptero da SSP a escola

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Colégio Notre Dame de Lourdes pediu que SSP fizesse sobrevoo com bandeira do Brasil (Foto: Sinepe-MT/Divulgação)
Colégio Notre Dame de Lourdes pediu que SSP fizesse sobrevoo com bandeira do Brasil (Foto: Sinepe-MT/Divulgação)
  • Juiz pediu que Ministério Público do Mato Grosso investigue sobrevoo com helicóptero da SSP à escola

  • Colégio Notre Dame de Loures pediu ação da SSP, além de palestras, e alegou que se trata de comemoração ao 7 de setembro

  • Em 31 de agosto, escola suspendeu professora que fez críticas ao presidente Jair Bolsonaro

Após a repercussão do caso de um helicóptero da Secretaria de Segurança Pública que sobrevoou uma escola com uma bandeira do Brasil, em Cuiabá (MT), o juiz Marcos Faleiros, da Décima Primeira Vara Especializada de Justiça Militar, pediu para que o Ministério Público Estadual investigue o caso.  

A ação da SSP de Mato Grosso aconteceu nesta quinta-feira (2), a pedido de uma escola particular, o Colégio Notre Dame de Lourdes. O sobrevoo aconteceu dias depois de uma professora da escola ser afastada por fazer críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e aos apoiadores dele. A Secretaria, no entanto, negou que o sobrevoo de 30 segundos tenha relação com o ocorrido e afirmou que se trata de um evento de "comemoração à semana da pátria". A escola também nega relação. 

O vídeo que registrou o momento viralizou nas redes sociais. Assista: 

Preocupação com o 7 de setembro

Fontes ouvidas pelo Yahoo! Notícias relatam que o poder judiciário teme uma mobilização das forças policiais do estado do Mato Grosso durante o 7 de setembro, especialmente pela aproximação entre . Autoridades viram a situação com preocupação, mas admitem que pode se tratar de uma coincidência entre o afastamento da professora e a ação da Secretaria de Segurança Pública.  

No dia 30 de agosto, o juiz Marcos Faleiros, o mesmo que determinou que fosse feita a investigação, enviou um ofício ao Comandante Geral da Polícia Militar do Mato Grosso, Jonildo José de Assis. No documento, ele lembra que as polícias militares, assim como os bombeiros militares, são subordinadas ao governo do estado. 

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Além disso, o juiz pontuou que a quebra de hierarquia ou o comportamento subversivo devem ter "consequências graves e imediatas". 

Poucos dias antes do ofício, em 26 de agosto, uma declaração acendeu o alerta de autoridades: a coronel da reserva Rúbia Fernanda de Oliveira Santos, presidente da Associação dos Oficiais da Polícia e Bombeiro Militar de Mato Grosso (Assof), declarou que PMs e bombeiros militares respondem ao Exército, não ao governo estadual. 

“Nós somos subordinados ao Exército, por lei, pela Constituição Federal. Eu espero que não aconteça uma ruptura institucional. Mas, se vier a acontecer, as polícias do Brasil, e também os bombeiros, ficarão à disposição do Exército para manter a ordem, para garantir que a democracia seja praticada”, disse Rúbia Fernanda, que foi candidata à senadora em 2018. 

Na mesma entrevista, ela afirmou que comparecerá à manifestação a favor de Jair Bolsonaro em 7 de setembro. 

Em outros estados, a preocupação é a mesma. Brasília e São Paulo já prometeram revistar os manifestantes, para impedir que eles vão armados aos atos a favor de Bolsonaro. 

Entenda o caso

Um helicóptero da Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso fez um sobrevoo na escola particular Colégio Notre Dame de Lourdes, em Cuiabá (MT).

Os oficiais fizeram um voo baixo, na manhã desta quinta-feira (2), causando ventania e assustando alguns alunos que presenciaram a cena. Os agentes que estavam no helicóptero exibiram ainda uma bandeira no Brasil.

A Secretaria de Segurança Pública do Mato Grosso relatou via assessoria de imprensa que nenhuma outra escola fez pedidos para demonstrações ou palestras como forma de celebração ao 7 de Setembro.

A pasta ainda afirmou que partiu da escola o pedido para que fossem feitas palestras para os alunos, com os profissionais que trabalham na SSP.

O que diz a escola

Em contato com o Yahoo! Notícias, a escola confirmou que fez um pedido para que a Secretaria de Segurança Pública fizesse palestras aos alunos, realizadas nos últimos dias, além do sobrevoo com a bandeira do Brasil.

O Colégio Notre Dame de Lourdes negou que o pedido tenha qualquer relação com a suspensão da professora que fez críticas ao presidente Jair Bolsonaro em sala de aula, tratando-se apenas de uma "coincidência".

O objetivo do pedido, segundo a instituição, era trabalhar os símbolos pátrios perto do 7 de setembro, quando é celebrada a Independência do Brasil

O que fez a professora ser suspensa 

Uma docente disse aos alunos que Bolsonaro é a favor do desmatamento e os comentários foram gravados e compartilhados em grupos de Whatsapp. Na última terça-feira (31), ela foi afastada da escola.

"Ele é a favor do desmatamento. Ele é a favor que os garimpeiros façam destruição dentro das terras indígenas. Além da destruição da natureza, está prejudicando o povo indígena. Os garimpeiros e o presidente da república são a favor disso. Temos que começar a pensar o que queremos para o nosso Brasil", disse a professora na ocasião.

A docente também fez críticas ao voto impresso e afirmou que a mudança teria como objetivo "roubar".

Segundo informações do G1, a declaração foi feita para alunos entre 7 e 9 anos, que estão no 3º ano do ensino fundamental. Após a repercussão negativa entre os pais, a professora foi suspensa durante três dias.

Em nota, o Colégio Notre Dame de Lourdes afirmou que fazer comentários de caráter político-partidários são contra o Código de Ética da escola, que é assinado pelos funcionários. Leia a nota da íntegra:

O Colégio Notre Dame de Lourdes esclarece que tomou conhecimento de que uma professora da instituição fez comentários de caráter político-partidário em sala de aula, infringindo artigo do Código de Ética assinado pelos funcionários, inclusive pelo corpo docente, após palestras de caráter formativo orientadas pelo setor jurídico de São Paulo. Diante do fato, a professora foi suspensa por três dias. A direção do Notre Dame de Lourdes reafirma que não apoia tal conduta e que a opinião expressada não reflete a posição da instituição.

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