Juiz que mandou prender Milton Ribeiro viu risco à investigação

Ex-ministro Milton Ribeiro (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)
Ex-ministro Milton Ribeiro (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)

O juiz que decretou a prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e de pastores escreveu em sua decisão que determinou a medida por entender que, soltos, eles poderiam causar riscos às investigações sobre o escândalo do Ministério da Educação (MEC), informou o portal g1 nesta quinta-feira (23).

Ribeiro e os pastores foram presos na quarta (22) durante uma operação da Polícia Federal. O ex-ministro é suspeito de envolvimento de tráfico de influência na Educação, a partir de repasses de verbas a aliados dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos. Os valores do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) eram enviados a prefeituras governadas por aliados dos religiosos.

Em uma gravação revelada em março, o ex-ministro afirma ainda repassar verbas a municípios indicados por pastores a pedido do presidente Jair Bolsonaro (PL). A demissão de Ribeiro na pasta aconteceu por conta disso.

"Resta comprovada a existência do periculum libertatis, eis que os investigados, em espécie de 'gabinete paralelo', estavam inseridos no contexto político do país ao ocuparem cargos de destaque no Poder Executivo federal, o que lhes possibilita proceder de forma a interferir na produção, destruição ou mesmo ocultação de provas que podem ser úteis ao esclarecimento de toda a trama delitiva", escreveu o juiz Renato Borelli, da 15ª Vara Federal de Brasília, na decisão em que mandou prender Milton Ribeiro e os pastores.

Ainda de acordo com o portal g1,  juiz escreveu ainda que seriam "inadequadas e insuficientes" eventuais medidas cautelares a serem aplicadas aos investigados.

"Diante de fortes indícios da prática de crime, decorre a necessidade de ser melhor elucidado, razão pela qual compreendo que as cautelares sob análise são medidas necessárias e pertinentes ao prosseguimento das investigações, com vistas a esclarecer possíveis autorias quanto aos delitos capitulados.”

Ministro solto

O desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, cassou a decisão de prender de forma preventiva o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro. A medida tem caráter liminar e também determina a soltura dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos.

Antes, a defesa do ex-ministro Milton Ribeiro havia entrado com um pedido de habeas corpus, mas a demanda foi negada pelo desembargador Morais da Rocha, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

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