Juiz rejeita pagamento de fiança de US$ 5 milhões para libertar ex-presidente da Braskem

O Globo com agências
Em 2010, José Carlos Grubisich estava à frente da ETH Bioenergia

WASHINGTON - Um juiz federal do Brooklyn negou nesta quarta-feira um pacote de fiança para o ex-presidente da Braskem José Carlos Grubisich, acusado de violar a Lei de Práticas de Corrupção no Exterior (FCPA na sigla em inglês), considerando-o irrisório devido a sua "enorme fortuna".

Grubisich foi preso pelo FBI em 20 de novembro e processado por três acusações de conspiração para violação das leis americanas de corrupção estrangeira e lavagem de dinheiro. Ele se declarou inocente. No processo apresentado à corte federal, os promotores pedem que o executivo não seja liberado por fiança, pelo risco de fuga do país.

Nesta quarta, o juiz Steven M. Gold rejeitou o pedido de Grubisich de ser liberado com monitoramento eletrônico em sua casa em Nova York com pagamento de fiança de US$ 5 milhões em bônus mais US$ 500.000 em dinheiro e uma propriedade de US$ 1 milhão, classificando-o como um pacote de fiança muito pequeno para um homem com US$ 64 milhões.

O juiz deixou claro estar disposto a deixar de lado o pedido do governo para que Grubisich aguardasse o julgamento na cadeia se o ex-executivo elevasse sua oferta em dezenas de milhões e acrescentou cidadãos americanos "de posses" a uma lista de quatro avalistas anônimos, além de mulher e dois filhos, "ao menos por persuasão".

No processo, a promotoria afirma que Grubisich e outros funcionários da Braskem e da Odebrecht participaram de uma conspiração para desviar cerca de US$ 250 milhões para uma unidade de negócios secreta, chamada Departamento de Operações Estruturadas. A unidade foi utilizada para corromper funcionários do governo, disseram os promotores federais no escritório do procurador dos EUA, Richard Donoghue.

Segundo os promotores, Grubisich teria embolsado US$ 2,6 milhões. O esquema funcionou entre 2002 e 2014, de acordo com o processo. O executivo esteve à frente da petroquímica até 2008.

Como presidente da Braskem, Grubisich teria ajudado a acobertar o esquema, falsificando balanços da companhia e assinando certificações falsas para a Comissão de Títulos e Câmbio dos EUA (U.S. Securities and Exchange Commission).

A defesa de José Carlos Grubisich considerou a audiência de hoje positiva porque o juiz abriu a possibilidade de apresentação de uma nova proposta de fiança. Essa nova proposta já está sendo estruturada e será apresentada o mais breve possível.