Juiz se cala por 1 minuto para mostrar 'fração de tempo' que homem negro foi perseguido antes de ser morto

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Antes de anunciar a pena dos três homens brancos que assassinaram um homem negro em Brunswick, no estado da Geórgia, nos EUA, o juiz Timothy Walmsley pediu a todos na corte que ficassem em silêncio.

Para "colocar em contexto" como aquele crime havia acontecido, o magistrado se calou durante um minuto, "a fração de tempo que Ahmaud Arbery correu" para tentar escapar de quem o matou. Arbery, que estava se exercitando quando passou a ser perseguido, tentou fugir durante cinco minutos.

Em fevereiro de 2020, o homem negro de 25 anos estava desarmado e foi assassinado com um tiro de espingarda disparado por Travis McMichael, 35, que estava acompanhado do pai, Gregory McMichael, 65, e do vizinho William "Roddie" Bryan, 52. Todos eles foram condenados nesta sexta (7) a prisão perpétua.

As imagens não deixavam dúvidas de que Travis havia disparado três vezes em Arbery à queima-roupa.

Para o juiz, imagens do episódio gravadas com um celular mostram que a cena foi "assustadora e perturbadora" e não deixam dúvidas de que Travis disparou três vezes à queima-roupa. É em razão da falta de sensibilidade exibida nos registros, segundo a interpretação do magistrado, que os McMichaels não poderão pedir progressão de pena para liberdade condicional em 30 anos, diferentemente de Bryan.

Os três já haviam sido condenados em novembro e agora receberam a sentença. Na ocasião, foram considerados culpados por homicídio, lesão corporal qualificada, cárcere privado e intenção criminosa.

Os advogados dos McMichaels argumentaram que o assassinato se justificava por ter ocorrido depois que Arbery passou correndo pela garagem da família, em um bairro de maioria branca que havia sofrido uma onda de roubos. Os acusados disseram pensar que o rapaz poderia estar por trás de roubos --não surgiram quaisquer evidências de crimes cometidos pela vítima em suas frequentes corridas pelo bairro.

A argumentação da defesa se baseava em uma lei da Geórgia, agora revogada, que permitia que cidadãos prendessem suspeitos de cometer crimes. Esse argumento não foi aceito.

Pai e filho pegaram suas armas e perseguiram Arbery em uma caminhonete. Bryan, desarmado, juntou-se aos dois momentos depois. Foi ele quem gravou Travis disparando com uma espingarda à queima-roupa. Arbery não carregava nada além de suas roupas de corrida e tênis. "Eles escolheram meu filho porque não o queriam em sua comunidade", disse Wanda Cooper-Jones, mãe de Arbery, no tribunal, nesta sexta-feira.

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