Juíza deixará cargo poucos dias após condenar Lula na Lava Jato

A juíza substituta Gabriela Hardt (Reprodução)

A juíza substituta da 13ª Vara Federal de Curitiba, Gabriela Hardt, deve deixar o cargo nos próximos dias. A magistrada, que condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do sítio de Atibaia nesta quarta-feira (6), ocupava a vaga provisoriamente após a saída do ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro.

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Hardt passou a responder interinamente pelos processos da Lava Jato em novembro passado, pouco após Moro aceitar o convite do presidente Jair Bolsonaro (PSL) para integrar o ministério. Na condição de juíza substituta, ela não poderia ocupar a vaga de forma definitiva.

Pelas regras da magistratura federal, o posto precisou ser oferecido aos demais juízes federais titulares da região, que inclui Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Segundo o portal Uol, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) deve aprovar um substituto definitivo para Moro nos próximos dias; é esperado que a publicação saia em Diário Oficial já na segunda-feira (11).

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Enquanto esteve à frente dos processos da Lava Jato, Hardt ficou encarregada de interrogar Lula no processo relativo ao sítio de Atibaia, ao qual condenou o ex-presidente a 12 anos e 11 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O depoimento foi marcado pelos embates entre Lula e a juíza, que apresentou respostas duras a questões levantadas pelo ex-presidente.

Na ocasião da oitiva, realizada em 14 de novembro, o petista indagou à juíza do que era acusado e, depois da explicação de que a ação se tratava dos supostos benefícios obtidos com a reforma, questionou: “Doutora, eu só queria perguntar para o meu esclarecimento, porque eu estou disposto a responder toda e qualquer pergunta: eu sou dono do sítio ou não?”.

Hardt rebateu: “Isso é o senhor que tem que responder, não eu, e eu não estou sendo interrogada neste momento.”

A juíza continuou a resposta alertando o ex-presidente de que ele deveria alterar o tom utilizado na conversa ou teria “problemas” no processo.

“Senhor ex-presidente, esse é um interrogatório e se o senhor começar nesse tom comigo a gente vai ter problema. Então vamos começar de novo, eu sou a juíza do caso, eu vou fazer as perguntas que eu preciso para que o caso seja esclarecido, para que eu possa sentenciá-lo, ou algum colega possa sentenciá-lo… Eu não vou responder interrogatório nem questionamentos aqui, está claro?”, afirmou.

A defesa do petista chegou a questionar a competência de Hardt para julgar casos relativos à Lava Jato na condição de juíza substituta.