Julgamento de neonazistas acusados de planejar atentados contra mesquitas na Alemanha

Benno Stieber con Yannick Pasquet en Berlín
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Um acusado aguarda o julgamento no tribunal de Stuttgart, no sul da Alemania

Doze membros de um grupo neonazista comparecerão a partir desta terça-feira (13) perante a Justiça alemã, acusados de terem planejado ataques contra mesquitas e líderes políticos, em um contexto de crescente ameaça da extrema-direita na Alemanha.

Os réus, com entre 33 e 62 anos, que formaram o "Gruppe S." em setembro de 2019, serão julgados no Tribunal Regional de Stuttgart pela criação de uma organização "terrorista" e pelo apoio dado à organização.

O grupo pretendia provocar "um estado próximo à guerra civil" com ações para "derrubar a ordem política", segundo a acusação, que assegura que os suspeitos têm "visões nacional-socialistas".

Os acusados planejavam atacar mesquitas para "ferir e matar" fiéis muçulmanos durante as orações de sexta-feira, de acordo com a promotoria de Karlsruhe, responsável por casos de terrorismo.

O "Gruppe S.", que se comunicava principalmente via chat na internet, também planejava atacar dois políticos dos Verdes alemães, incluindo um de seus dirigentes, Robert Habeck.

- 50.000 euros -

O grupo pretendia comprar armas por um valor total de 50.000 euros por meio de um intermediário conhecido de um deles.

Além disso, a polícia descobriu armas pesadas e munições ao efetuar operações de busca e apreensão nas casas dos integrantes do grupo, que também planejavam atacar o Reichstag, edifício sede da Câmara dos Deputados.

Antes de serem presos, os suspeitos se reuniram três vezes para realizar operações de manutenção de armas, treinamento de tiro e elaboração de planos.

Alguns dos acusados, de diferentes idades e perfis, compareceram ao tribunal vestindo capuzes e cobrindo a maior parte do rosto com uma máscara, deixando apenas os olhos visíveis.

O relatório de acusação baseia-se sobretudo nas conversas do grupo, através de um aplicativo de mensagens, e nos depoimentos de uma testemunha protegida que participou nas reuniões do "Gruppe S.".

Esse homem, mencionado apenas pela inicial "u" forneceu informações cruciais aos investigadores para que pudessem descobrir o pequeno grupo.

Um dos dois "cérebros" da gangue, Werner S., detido em Augsburg, é alvo de outro processo judicial. De acordo com a rádio pública regional SWR, ele ofereceu até 50.000 euros a um membro da máfia italiana para matar uma testemunha.

As audiências estão sendo realizadas em meio a medidas de segurança rígidas e, a princípio, vão durar até meados de agosto.

Onze dos doze réus estão sob custódia desde 14 de fevereiro de 2020, quando planejavam se encontrar mais uma vez antes de agir.

Os serviços de inteligência alemães consideram que a extrema-direita é a principal ameaça que atualmente pesa sobre a segurança do Estado.

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