Julia Gastin abre loja em Ipanema com peças que remetem a falos e vulvas

Julia Gastin aparece em cena com um colar curioso, repleto de pingentes de pênis. Uma versão erotizada de seu trabalho, sempre pautado por uma pesquisa profunda nas raízes brasileiras. “Trouxe também a figura da vulva. Quis sair do trivial. Por que presentear alguém com uma bermuda se podemos surpreender, sair do lugar-comum?”, questiona a designer, de 35 anos. Essas peças ocupam posição de destaque no espaço que a carioca acaba de inaugurar em Ipanema, na garagem de uma casa de pedra onde também funciona a multimarcas Pinga. “Minha história começou em 2016 num ateliê no Horto. "Gostava do clima, mas ficava muito escondida. Adoro essa ideia de estar na rua, próxima ao público. Decorei o ambiente com palha, madeira e outros elementos que traduzem minha obra.”

Antes dos falos e das vulvas, a designer ficou conhecida por resgatar as joias de crioula — ornamentos afro-brasileiros produzidos na Bahia entre os séculos XVIII e XIX e usados por mulheres negras, alforriadas ou escravas. “Sou apaixonada pela cultura do meu país, que passei a entender melhor ao fazer parte da equipe de figurino do ‘Esquenta’, programa que foi apresentado por Regina Casé. Ela, inclusive, é uma das minhas maiores referências”, conta Julia, que soma passagens pelos estilos das extintas grifes Marcella Virzi e Zigfreda.

“Iniciei meu negócio para fugir do minimalismo que existia em nossa joalheria, que dialogava com o que era feito nos Estados Unidos e na Europa. Além desse passado, o funk e a cultura de rua estão no meu radar. Quero que esse Brasil profundo enfeite nossos corpos.”

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