Juliano Cazarré: 'Não sou machista. Sou o cara que está em casa cuidando das crianças'

David Barbosa
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RIO — Maria Madalena anuncia sua presença antes mesmo de Juliano Cazarré responder como vai. O choro da bebê de dez dias antecipa a fala do pai, que estreia nesta quinta-feira o suspense “Dente por Dente”. Às voltas com os cuidados de seus quatro filhos e a divulgação do filme, Juliano tem se esforçado para se manter ativo nas redes sociais, onde compartilha suas experiências paternas e religiosas e, vira e mexe, fica sob risco de cancelamento por declarações controversas sobre masculinidade.

Em 2019, o ator foi criticado ao dizer que “é muito prejudicial para os meninos crescerem sem uma figura masculina" e que "mães solteiras são heroínas, mas dificilmente saberão transmitir os valores da masculinidade". Na quarentena, uma nova declaração de Juliano pegou mal. Ele relatou problemas na coluna desenvolvidos por conta das tarefas domésticas. “Você não tem ideia da quantia de mulheres que cuidam sozinhas do serviço de casa”, escreveu uma internauta. Questionado sobre se considerar ou não um machista em desconstrução, o ator é enfático:

— Não, não sou machista. Sou o cara que está em casa cuidando das crianças, que sai para fazer compras, que leva o filho na escola, que fica com as crianças o dia inteiro. Machista é o cara que pega um monte de mulher e faz o que quiser. Esse é machista.

Com as críticas, ele pensou em deletar a conta no Instagram, onde costuma compartilhar os livros que lê — que vão de “1984”, de George Orwell, a “Cristofobia - A Perseguição aos Cristãos no Século XXI”, de Luis Antequera. Mas decidiu ficar. E não volta atrás nas opiniões, embora afirme ter sido mal-interpretado. Sobre as mães solteiras, por exemplo, afirma que estava criticando o abandono parental.

— Todo mundo sabe a falta que o pai faz, principalmente para o menino. Os dados estão aí. Os meninos que não têm pai em casa têm uma dificuldade muito maior de terminar o colégio, de terminar a faculdade, porque não têm o exemplo do pai. Assim como também é muito difícil para um pai sozinho, sem mãe, criar os filhos, ainda mais a filha. Cada um faz o que quiser, pode ser o que quiser, eu não ligo, mas a gente precisa de bons pais — defende, referindo-se à união homoafetiva.

O Instagram de Juliano também é palco para diversas publicações a respeito de sua fé — e quem as vê imagina que ele tenha sido devoto a vida inteira. Na verdade, o ator passou boa parte da vida adulta distante da igreja, apesar de ter sido criado numa família católica. Há alguns anos, uma crise no casamento o reaproximou da religião, e, desde então, o hoje devoto de São José nunca mais perdeu um domingo de missa. É o pai adotivo de Jesus, diz ele, sua "grande inspiração" para a paternidade:

— São José me diz muito sobre ser um bom pai e ensinar o valor do trabalho, da discrição, da castidade. Eu falo tanto da minha fé porque, no momento que você experimenta essa alegria da salvação em Jesus, você não quer guardar isso para si. É uma alegria, uma paz. Você sabe que muita gente que está infeliz poderia ser feliz voltando para a igreja.

No fim do ano passado, Juliano concluiu as gravações da novela "Amor de mãe", em que interpreta Magno, filho mais velho de Lurdes (Regina Casé). Em “Dente por dente”, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, o ator é Ademar, dono de uma empresa de segurança cujo sócio desaparece misteriosamente. Dirigido por Júlio Taubkin e Pedro Arantes, o thriller discute o problema da moradia no Brasil e da especulação imobiliária, e conta com a participação de Paola Oliveira e Renata Sorrah.

Para Juliano, o longa, rodado antes da pandemia, foi uma oportunidade de aprender novas formas de atuação. E ele aposta no sucesso do gênero no Brasil:

— Talvez a gente já tenha um movimento muito estabelecido na comédia. Agora podemos apostar nesse cinema de suspense, diversificar, não ficar só na mesma coisa. Ademar me trouxe muito o exercício de uma atuação com poucas palavras. No filme, eu falo pouco e reajo muito.