Jundiaí impõe 'lei seca' e restrições em supermercados para conter Covid

CLAYTON FREITAS
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após classificar a situação do número de casos de Covid-19 no município como "extremamente preocupante", o prefeito de Jundiaí (58 km de São Paulo), Luiz Fernando Machado (PSDB), determinou a proibição de venda de bebidas alcoólicas em todos os estabelecimentos do município. Nem mesmo os deliverys estarão permitidos de entregar os produtos aos clientes. As regras anunciadas durante uma live nesta sexta-feira (26) buscam evitar a escalada do número de casos na cidade e tentar desafogar os leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). A ocupação dos leitos de UTI da rede pública na cidade está em 97%, e os de enfermaria, 96%. Na rede particular, os índices são de 94% e 84%, respectivamente. A média semanal de pessoas com síndrome gripal aguda que buscam atendimento chega a 4.000, o equivalente a quase 1% da cidade estimada em 423 mil habitantes, segundo estimativas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O número de 4.000 representa crescimento de 126% em relação ao mês passado. "Esse é o primeiro termômetro. Metade vai positivar e uns 10% vai ocupar um leito de UTI", afirmou o gestor de saúde da cidade, Tiago Teixeira. As medidas restritivas devem começar assim que o decreto for publicado, segundo anunciou Machado. O prazo em que elas vão vigorar não foi anunciado. Além da "lei seca", elas incluem ainda o limite de uma pessoa da família no supermercado. Os pontos de venda só poderão vender produtos essenciais e não devem permitir que mais de um consumidor conduza um carrinho de compras. O objetivo, segundo Machado, é o de evitar as aglomerações nestes locais. Sem citar horário de funcionamento, Machado afirmou que haverá restrição no funcionamento do transporte público da cidade para desestimular a circulação de pessoas. Barreiras sanitárias serão montadas em toda a cidade, o que certamente impactará na mobilidade dentro da cidade, sobretudo na circulação de veículos, segundo o prefeito. "O nosso efetivo estará distribuído e seguramente nós teremos longos, longos engarrafamentos para aqueles que se se deslocarem pela cidade. Nós teremos dificuldades de mobilidade da cidade", afirmou. Serão montadas blitze dentro da cidade com apoio de agentes de trânsito e guardas municipais e haverá reforço na restrição de circulação de pessoas das 20h às 5h. As regras rígidas deixam de fora o parque industrial da cidade. O motivo, segundo o prefeito tucano, é que ele não pode decretar o lockdown. "Senão vamos abastecer o Brasil, por exemplo, de oxigênio", disse. Entre as empresas instaladas no município estão a IBG (Indústria Brasileira de Gás) e a Messer, que produzem oxigênio hospitalar, e a MAT, fabricante dos cilindros onde são acondicionados os produtos. Momentos depois do anúncio da proibição de venda de bebidas alcoólicas, a unidade de Jundiaí da echope, uma rede de venda de bebidas com 11 lojas espalhadas pelo interior do estado, recebeu uma enxurrada de pedidos. A fila chegou a 50 veículos fora da loja, e os pedidos de entregas triplicaram. "Temos um estoque grande. O problema é não saber quanto tempo essa medida irá durar", afirmou o sócio-proprietário do echope Jundiaí Eurides Giannini. Ele afirmou que, em média, às sextas-feiras entrega de 90 a 120 pedidos, número que, até por volta das 15h20, quando falou com a reportagem, chegou a 300. Essa não é a primeira vez que uma unidade da rede é proibida de vender bebidas. A unidade de São José do Rio Preto (a 437 km de SP), também sofreu restrições no dia 18 devido ao lockdown imposto na cidade. O mesmo aconteceu durante os lockdowns de Araraquara e de Ribeirão Preto.