Junta birmanesa comete 'crimes contra humanidade', diz especialista da ONU

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Multidão vai às ruas em Yangon, em 7 de julho de 2021, para marcar o aniversário das manifestações estudantis de 1962 contra primeira junta militar no poder em Mianmar

O relator especial da ONU para Mianmar, Tom Andrews, acusou, nesta quarta-feira (7), a junta militar no poder desde o golpe de 1º de fevereiro de cometer "crimes contra a humanidade" e pediu à comunidade internacional que ponha fim a este "pesadelo".

Em sua intervenção no Conselho de Direitos Humanos da ONU, Andrews denunciou "os ataques generalizados e sistemáticos da junta militar contra o povo de Mianmar, atos que constituem crimes contra a humanidade", assim como "a incapacidade da comunidade internacional de fazer o que é necessário para detê-los".

"Alguns habitantes de Mianmar perderam a esperança de receber apoio da comunidade internacional e estão tentando se proteger formando grupos de defesa e cometendo atos de sabotagem, enquanto outros teriam tomado como alvo colaboradores e funcionários da junta", alertou este especialista independente, que conta com mandato do Conselho, mas não fala em nome da ONU.

Desde o golpe militar em 1º de fevereiro, Mianmar registra confrontos muito graves.

Na terça-feira (6), a alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, destacou que a situação política neste país é "catastrófica" e é um risco para a região.

- Isolar a junta -

De acordo com a ONU, quase 900 pessoas morreram em meio à repressão. Outras 200.000 se viram forçadas a abandonar suas casas, após operações militares em bairros e aldeias. Milhares fugiram para países vizinhos.

Pelo menos 5.200 pessoas foram presas arbitrariamente. Entre elas, estão mais de 90 jornalistas. Oito grandes veículos de comunicação foram fechados.

"A comunidade internacional está abandonando o povo de Mianmar", disse Andrews.

Ele também observou que o Exército cortou o fornecimento de alimentos, água e remédios aos deslocados em seus ataques às aldeias.

E até "tomou familiares como reféns quando suas tropas não conseguiram encontrar aqueles que tinham mandados de prisão pendentes", denunciou, evocando o caso recente de uma criança de apenas quatro anos feita refém pelos militares.

Andrews reiterou seu apelo à criação de uma coalizão de emergência para o povo birmanês, com o poder de impor sanções e "reduzir significativamente a receita de que a junta precisa para continuar seu reinado de terror".

"A comunidade internacional também deve proibir a venda de armas ao Exército birmanês e realizar investigações sobre todas as violações e crimes cometidos", apontou.

O povo birmanês "precisa desesperadamente de todo o apoio da comunidade internacional antes que seja tarde demais", advertiu.

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