Junta de Mianmar liberta quase 6.000 prisioneiros, entre eles quatro estrangeiros

A junta militar de Mianmar anunciou, nesta quinta-feira (17), a libertação de quase 6.000 presos, entre eles uma ex-embaixadora britânica, um assessor australiano do governo derrubado de Aung San Suu Kyi, um jornalista japonês e um birmanês com passaporte americano.

A ex-diplomata Vicky Bowman, o assessor econômico australiano Sean Turnell e o jornalista japonês Toru Kubota "foram libertados devido ao feriado nacional", que é celebrado nesta quinta-feira, disse um alto funcionário à AFP.

A medida também beneficiou Kyaw Htay Oo, um birmanês com passaporte americano.

Os quatro estrangeiros "foram indultados e deportados", acrescentou o funcionário. O indulto beneficiou um total de 5.774 presos birmaneses.

Eles deixaram Mianmar em um voo comercial às 19h10 (9h00 de Brasília), com destino final Bangcoc, informaram um jornalista da AFP e fontes diplomáticas.

O birmanês-americano libertado disse à AFP que estava "muito feliz".

"Não pensei no que vou fazer quando voltar para casa. O que sei é que Mianmar ainda não está livre", declarou em Bangkok.

Kubota, que chegou a Tóquio na manhã de sexta-feira, disse a repórteres que queria agradecer por sua libertação após três meses e meio de detenção.

"Fui libertado tão rapidamente graças ao apoio do Japão, da imprensa e das autoridades do governo que fizeram esforços para resolver a situação", disse Kubota no aeroporto de Tóquio.

Bowman, vestindo trajes tradicionais birmaneses, não fez comentários enquanto era escoltada por funcionários diplomáticos britânicos para seu voo de conexão na Tailândia.

A decisão é um raro sinal de abertura por parte dos militares, que chegaram ao poder com um golpe de Estado em 1º de fevereiro de 2021.

Milhares de pessoas foram presas na sangrenta repressão à dissidência que se seguiu ao golpe.

Três ônibus que transportavam os prisioneiros indultados deixaram a prisão de Insein, em Yangon, pouco depois das 15h, horário local (5h30 no horário de Brasília), e passaram por uma multidão de 200 pessoas, disseram jornalistas da AFP no local.

Uma mulher, que não quis revelar sua identidade por medo de represálias, esperava pelo marido, que havia cumprido metade de sua pena de prisão de três anos por fomentar a dissidência contra o exército.

"Antes, ele era partidário do USDP [partido apoiado pelo exército]. Depois do golpe, ele se juntou aos protestos", contou a birmanesa, que disse estar "muito orgulhosa dele".

A libertação de presos foi reivindicada durante meses pelas organizações de direitos humanos, que condenam as políticas de uma junta acusada de ter mergulhado o país em um conflito sangrento desde o golpe de Estado.

Segundo uma ONG local, mais de 2.300 civis morreram pelas mãos das forças de segurança desde o golpe de Estado.

A Junta culpa a oposição armada pela morte de mais de 3.900 civis.

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