Junta militar de Mianmar acusa Suu Kyi de aceitar subornos; ONU condena repressão

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Manifestantes pedem a libertação de Aung San Suu Kyi em Yangon

A junta militar de Mianmar anunciou nesta quinta-feira (11) novas acusações de corrupção contra a ex-chefe de governo Aung San Suu Kyi, enquanto continua reprimindo manifestações opositoras ao golpe, sem considerar a condenação por parte da ONU.

As forças de segurança realizaram operações na quarta-feira à noite, no distrito de Sanchaung de Yangon, a capital econômica do país, que incluíram buscas de armas em apartamentos.

"Usaram bombas de efeito moral em todas as ruas", disse um morador do distrito, foco de tensão desde o início da semana. "Pedimos aos nossos amigos que estão fora de suas casas para não voltarem", alertou.

A Junta anunciou também novas acusações de corrupção contra Aung San Suu Kyi, derrubada em 1º de fevereiro.

Incomunicável desde então, ela foi acusada pelos militares de ter recebido subornos por um valor de 600.000 dólares e mais de 11 quilos de ouro.

Essas denúncias surgem horas depois de o Conselho de Segurança das Nações Unidas, por unanimidade de seus 15 membros - entre eles China e Rússia, tradicionais aliados dos generais birmaneses -, criticar a violência do regime militar e pedir "moderação máxima".

Denunciando as ações violentas das forças de segurança "contra manifestantes pacíficos, incluindo mulheres, jovens e crianças", o Conselho pede às partes que "busquem uma solução pacífica" para a crise.

Também exige "a libertação imediata de todos os detidos arbitrariamente", sem mencionar a possibilidade de sanções internacionais.

"Chegou a hora da desescalada" e "é o momento do diálogo", disse o embaixador chinês na ONU, Zhang Jun.

"É importante que os membros do Conselho falem com uma só voz", insistiu.

Um diplomata europeu, com a condição de anonimato, disse que a posição chinesa é uma novidade, porque Pequim sempre descreveu a crise de Mianmar como um "assunto interno".

- Invasões e balas -

Invasões em casas, hospitais, universidades, detenções em massa, balas reais: a junta parece mais decidida do que nunca a sufocar a rebelião de Mianmar, majoritariamente pacífica.

A organização dos direitos humanos Anistia Internacional denunciou nesta quinta-feira as "execuções extrajudiciais" e o uso de armas de guerra.

Em nota, a ONG disse que analisou 55 vídeos, filmados entre 28 de fevereiro e 8 de março por cidadãos e por meios de comunicação locais, que mostravam que "a força letal é usada de forma planejada, premeditada e coordenada" pelos militares.

O golpe de Estado, que usou como justificativa supostas fraudes eleitorais nas legislativas de novembro vencidas pelo partido de Aung San Suu Kyi - Liga Nacional para a Democracia (LND) -, encerrou uma década de transição democrática em Mianmar.

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