Junta militar de Mianmar condena colaborador de Suu Kyi a 20 anos de prisão por traição

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Aung San Suu Kyi e Win Htein em agosto de 2017 (AFP/STR)
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A junta militar no poder em Mianmar condenou, nesta sexta-feira (29), um colaborador próximo à líder civil destituída Aung San Suu Kyi a 20 anos de prisão por traição, sendo o primeiro membro de destaque do seu partido a ser preso pelo novo regime.

Mianmar está imersa no caos desde o golpe de Estado de 1º de fevereiro, com protestos em todo o país e mais de 1.100 pessoas mortas pelas mãos das forças de segurança, segundo um grupo de monitoramento local.

O golpe derrubou o governo da Liga Nacional para a Democracia (LND) de Suu Kyi, sob acusações de fraude nas eleições de 2020, vencidas de forma esmagadora por este partido.

"U Win Htein foi condenado a 20 anos de prisão pela seção 124a por um tribunal especial", disse à AFP seu advogado Myint Thwin, acrescentando que vai recorrer.

O ex-deputado é o primeiro membro de alto escalão da Liga Nacional para a Democracia de Suu Kyi condenado pela junta após um julgamento.

Este homem, de 80 anos, é um preso político há muito tempo. Ele passou longos períodos dentro e fora da prisão por fazer campanha contra o regime militar.

Considerado como braço direito de Suu Kyi, os veículos de imprensa, nacionais e internacionais, recorriam a ele com frequência para saber o que pensava a líder de fato de Mianmar.

Cadeirante, o político octogenário precisa de oxigênio para respirar, segundo a mídia local, pois sofre de hipertensão, diabetes e problemas cardíacos.

Antes de sua detenção, três dias depois do golpe, declarou à imprensa local que o golpe militar "não foi certo" e que seus líderes "levaram (o país) à direção equivocada".

- 'Traidores e corruptos' -

A sentença "mostra que este regime quer punir os líderes da LND", incluindo Suu Kyi, comentou Richard Horsey do International Crisis Group.

"Querem apresentá-los como traidores, corruptos e muitas outras coisas. Definitivamente, não é um bom sinal para os demais" dirigentes desta formação, acrescentou.

Suu Kyi enfrenta uma série de acusações que poderiam levá-la à prisão por décadas, desde a importação ilegal de walkie-talkies até a violação das normas sobre o coronavírus.

Na terça-feira, ela depôs pela primeira vez perante um tribunal da junta, segundo informou à AFP uma fonte próxima ao caso.

A mídia foi impedida de comparecer às audiências de Suu Kyi em um tribunal especial na capital Naypyidaw, e a junta proibiu recentemente sua equipe jurídica de se comunicar com jornalistas.

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