Justiça aceita denúncia contra manifestantes de ato contra Alexandre de Moraes

SÃO PAULO — A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia contra Antonio Carlos Bronzeri e Jurandir Pereira Alencar, que participaram de protesto no último dia 2 de maio em frente ao prédio onde mora Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal. Os dois manifestantes foram denunciados pelo Ministério Público estadual pelos crimes de ameaça, difamação, injúria e perturbação do sossego.

A decisão foi tomada nesta terça-feira pelo juiz Márcio Sauandag, da 22ª Vara Criminal de São Paulo, que deu prazo de 10 dias para que os dois réus apresentem a defesa, o que deverá ser feito por escrito.

O grupo de manifestantes se reuniu em frente ao prédio de Moraes para protestar contra a decisão do ministro de suspender a nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal e pediram a saída do ministro da Suprema Corte. Moraes suspendeu a nomeação de Ramagem alegando que a medida feria a impessoalidade do cargo de presidente, uma vez que o indicado é amigo pessoal da família Bolsonaro.

A promotora Alexandra Milaré Santos afirmou que os manifestantes permaneceram por cerca de duas horas em via pública, realizando "diversas ameaças à vítima, tais como "você e sua família jamais poderão sair nas ruas deste país, nem daqui a 20 anos". Além disso, usaram um caixão para simular a morte do ministro. Ela pediu que as penas sejam agravadas porque os crimes foram cometidos contra funcionário público e a manifesta~]ap ocorreu durante período de calamidade pública em função da pandemia de Covid-19.

O grupo levou bandeiras do Brasil e dirigiu ataques também ao governador de São Paulo, João Dória (PSDB-SP). De acordo com imagens divulgadas nas redes sociais, cerca de 20 pessoas estavam no local. Um dos vídeos registra o momento em que o grupo diz palavrões.

A polícia foi chamada e três manifestantes foram levados à 14ª Delegacia de Polícia, em Pinheiros, na Zona Oeste da capital paulista. Dois deputados da base bolsonarista da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) foram à delegacia para dar assistências aos detidos.

Essa não é a primeira vez que Antonio Carlos Bronzeri é envolvido em crime deste tipo. Em 2019, o PSOL entrou com ação judicial contra ele e contra a blogueira Regina Villela, então filiada ao PSL, na 9ª Vara Cível da Circunscrição Especial Judiciária de Brasília. Na época, ele foi acusado de propagar mentiras e discursos de ódio em redes sociais contra Jean Wyllys, logo depois de o parlamentar ter anunciado que deixaria o Brasil por receber ameaças.

Uma das fake news afirmava que Jean Wyllys estaria saindo do Brasil por estar envolvido "com a tentativa de assassinato contra Jair Bolsonaro”, em setembro de 2018, durante a campanha eleitoral.

O PSOL afirmou na época que Regina Villela era autora de um vídeo, contendo a mesma mentira, divulgado no canal “Politicaplay” do YouTube. No vídeo, ela contracenava com Bronzeri e falava contra Jean Wyllys

Nosso objetivo é criar um local seguro e atraente para os usuários se conectarem a interesses e paixões. Para melhorar a experiência de nossa comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários dos artigos.