Justiça adia julgamento de ex-PMs acusados de executar menino no Sumaré

Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil

A Justiça do Rio adiou para 25 de maio o júri dos dois ex-policiais militares acusados de executar o menino Matheus Alves dos Santos, no Morro do Sumaré, zona norte da cidade, em 2014. O adiamento foi pedido tanto pelo Ministério Público quanto pela defesa dos réus, porque o vídeo feito dentro da viatura policial, que é uma das principais provas, estava com más condições técnicas e poderia prejudicar o entendimento dos jurados. Para o júri do dia 25 de maio, serão colocadas legendas no vídeo.

No dia do crime, os cabos Vinícius Lima Vieira e Fábio Magalhães Ferreira faziam buscas no centro do Rio, atrás de dois adolescentes que cometiam furtos na região. Matheus e mais dois jovens foram apreendidos e levados pelos policiais para o alto do Morro do Sumaré. Um dos jovens foi liberado no caminho, mas Matheus e o outro jovem foram baleados.

Matheus levou um tiro na cabeça e morreu na hora. O outro menino só sobreviveu porque se fingiu de morto.

Os dois policiais foram expulsos da corporação.

O caso

Matheus Alves dos Santos, de 14 anos, e outro adolescente foram detidos no dia 11 de janeiro de 2011, quando praticavam assaltos na Avenida Presidente Vargas, região central da cidade. Os garotos não foram encaminhados à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, que trata de crimes envolvendo menores de idade.

O menino que acompanhava Matheus contou à polícia que rodaram por cerca de uma hora no carro da polícia e foram levados para o Morro do Sumaré. Lá eles foram baleados e arremessados do alto do morro. O adolescente que sobreviveu foi atingido nas costas e na perna. Ele se fingiu de morto e depois fugiu pela mata em direção ao Morro do Turano, no Rio Comprido, também na zona norte. Depois foi para casa no Complexo da Maré, onde mora.