Justiça americana rejeita pedido de soltura de colaboradora do WikiLeaks

Ciclistas passan por caminhão com cartaz pedindo por liberdade de expressão e fotos de Chelsea Manning

Um tribunal americano rejeitou, nesta segunda-feira, o pedido de soltura da ex-analista militar Chelsea Manning, que está presa desde 8 de março por se recusar a testemunhar contra o fundador do WikiLeaks Julian Assange, a quem transferiu em 2010 um grande número de documentos confidenciais.

A ativista transgênero, nascida como um homem com o nome de Bradley há 31 anos, havia apelado contra a decisão de prisão por desacato.

Mas o tribunal de apelações do estado da Virginia "não constatou nenhum erro na decisão do tribunal distrital" e "se recusa a libertá-la sob fiança", disseram os três juízes, que não forneceram detalhes sobre a duração da sua detenção.

Chelsea Manning foi condenada em 2013 a 35 anos de prisão por um tribunal militar marcial devido ao roubo de 750.000 documentos diplomáticos e informação militar, que envergonharam os Estados Unidos.

Sua sentença foi comutada pelo presidente democrata Barack Obama e foi libertada em maio de 2017, depois de passar sete anos na prisão, período durante o qual iniciou sua transição para o sexo feminino.

No entanto, em 8 de março, ela foi mandada de volta para a prisão após se recusar a depor perante um grande júri que investiga o WikiLeaks e seu fundador Julian Assange, atualmente detido na Grã-Bretanha.

"Não vou participar de um processo secreto que desaprovo moralmente", justificou na ocasião.

Imporante ferramenta da justiça americana, os grandes júris, são coletivos de cidadãos selecionados por sorteio, que têm a tarefa de analisar com a máxima confidencialidade os casos criminais federais mais graves.

Em 11 de abril, Julian Assange foi preso na embaixada equatoriana em Londres, onde ele havia sido refugiado por sete anos, após um pedido de extradição dos Estados Unidos.