Justiça arquiva processo contra vidraceiro preso duas vezes por engano

Rafael Soares
Jamerson após sair da DH

Após o vidraceiro Jamerson Gonçalves de Andrade, de 33 anos, ser preso injustamente duas vezes, a Justiça determinou o arquivamento do processo contra ele pelo homicídio de um PM. A decisão foi tomada pelo juiz da 3ª Vara Criminal, Alexandre Abrahão Dias Teixeira, mais de dois anos após Jamerson ter sido preso pela primeira vez pelo assassinato do soldado Samir Oliveira. Como o processo não havia sido arquivado após a soltura de Jamerson à época, ele seguiu sendo considerado suspeito do crime pela polícia até janeiro deste ano, quando foi preso novamente sob a mesma acusação. Segundo o magistrado, não há "justa causa para deflagração da ação penal".

Em agosto de 2017, o vidraceiro permaneceu 13 dias preso pelo crime. Horas depois do assassinato, Jamerson voltava para casa, no Complexo do Lins, Zona Norte do Rio, na região em que ocorreu o homicídio, quando foi abordado por PMs. Agentes que acompanhavam o policial morto reconheceram Jamerson como um dos assassinos. No entanto, na hora do crime, o vidraceiro trabalhava, com seu chefe, na montagem de uma adega num shopping na Barra da Tijuca, a mais de 10km do local do homicídio. Imagens das câmeras de segurança filmaram o jovem no estabelecimento e seu chefe se disponibilizou a prestar depoimento a seu favor.

Após sua defesa conseguir provar que ele não havia cometido o crime, Jamerson foi solto. Como o processo contra ele não foi arquivado mesmo após a denúncia ter sido oferecida contra outros acusados, o vidraceiro seguiu sendo considerado pela polícia um possível alvo. Por isso, em 2018, a Delegacia de Homicídios usou os mesmos depoimentos dos PMs que haviam acusado o vidraceiro injustamente em outro inquérito aberto para investigar o tráfico do Lins. E, com base nos relatos, a Justiça decretou novamente a prisão de Jamerson.

A nova investigação tinha como objetivo identificar responsáveis pelo homicídio do coronel Luiz Gustavo Teixeira, comandante do 3º BPM (Méier), em outubro de 2017. O oficial foi assassinado durante um arrastão na região. Para chegar a responsáveis pelo crime que ainda não haviam sido identificados, foram juntados, no inquérito, depoimentos de PMs sobre mortes de colegas na região. Entre esses relatos, estava o que acusava injustamente Jamerson.

Segundo o relatório de investigação da DH, o pedido de prisão buscava identificar “aqueles que estavam presentes durante o arrastão que vitimou o coronel Teixeira — certamente os indivíduos elencados possuem informações que podem levar à identificação dos mesmos”. O inquérito foi enviado à Justiça um dia após ser aberto. A prisão de Jamerson foi decretada no Plantão Judiciário pelo juiz Ricardo Coimbra da Silva Starling Barcellos. O jovem foi preso em janeiro, quando foi parado numa blitz. Ele não sabia que estava foragido.