Justiça belga condena diplomata iraniano por planejar atentado na França

Matthieu DEMEESTERE
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Um grupo de pessoas com cartazes e bandeiras do Irã protesta em frente ao tribunal de Antuérpia onde o diplomata iraniano estava sendo julgado, em 4 de fevereiro de 2021

Um tribunal belga condenou, nesta quinta-feira (4), um diplomata iraniano a 20 anos de prisão por planejar um ataque com explosivos contra uma reunião de opositores iranianos na França em 2018.

Assadollah Assadi foi acusado de "tentativas de assassinato de natureza terrorista" e "participação nas atividades de um grupo terrorista".

O homem de 49 anos nega qualquer responsabilidade pelos acontecimentos.

O advogado de Assadi, Dimitri de Béco, disse à AFP que o diplomata iraniano certamente entrará com um recurso. "Devo primeiro discutir cuidadosamente com meu cliente".

Já um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que a instituição "vai analisar as implicações" da sentença, embora tenha condenado os atos "inaceitáveis" do diplomata iraniano.

O tribunal de Antuérpia (norte) também condenou três outros cidadãos belgas de origem iraniana a penas que variam de 15 a 18 anos de prisão por cumplicidade na tentativa de realizar o ataque.

O casal formado por Nasimeh Naami, de 36 anos, e Amir Saadouni, de 40, recebeu de Assadi meio quilo de explosivos e um detonador. A dupla foi presa na Bélgica quando viajava para a França para realizar o ataque.

Naami foi condenada a 18 anos de prisão e Saadouni a 15.

Já o iraniano Mehrdad Arefani, de 57 anos, que tinha a missão de guiar o casal até o local do ataque, foi condenado a 17 anos.

A Promotoria de Antuérpia havia solicitado uma sentença de 20 anos contra Assadi em 27 de novembro.

Segundo a inteligência francesa, o objetivo do grupo era explodir um artefato em um congresso organizado por um grupo de oposição iraniano em junho de 2018 em Villepinte, nos arredores de Paris.

O governo francês acusou os serviços de inteligência da República islâmica de estar por trás da tentativa de ataque, algo que o governo iraniano sempre negou.

Em Teerã, o governo iraniano condenou "firmemente" a decisão contra Assadi, considerando que tanto o processo judicial quanto o veredicto são "ilegais e violam flagrantemente o direito internacional".

- Cobertura diplomática -

Na época, Assadi trabalhava na embaixada iraniana na capital austríaca, Viena. Ele foi preso durante uma viagem à Alemanha, onde não tinha imunidade diplomática.

Durante o processo, os investigadores revelaram possuir imagens que mostravam Assadi em Luxemburgo se preparando para entregar o pacote com os explosivos a Naami e Saadouni, dois dias antes do evento na França.

Preso na Alemanha, Assadi foi entregue às autoridades belgas em outubro de 2018.

De acordo com a acusação, Assadi é na verdade um agente dos serviços de inteligência iranianos "agindo sob cobertura diplomática".

Em 30 de junho de 2018, a coalizão de oposição Conselho Nacional de Resistência no Irã (CNRI) organizou sua reunião anual em Villepinte.

Nesse congresso participaram, entre outros, a ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt, sequestrada pela guerrilha das FARC durante seis anos, e várias personalidades americanas e britânicas.

No Twitter, a principal líder do CNRI, Maryam Radjavi, comentou que a condenação de Assadi constitui um processo "histórico" porque "todo o regime [iraniano] sentou-se no banco dos réus".

O CNRI, formado na década de 1960, apresenta-se como o principal movimento de oposição ao governo iraniano, e seu principal grupo interno é a organização Mujahedines do Povo do Irã.

Até os anos 2000, era considerada uma "organização terrorista" pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

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