Justiça belga envia suspeitos por atentados em Bruxelas a julgamento

Matthieu DEMEESTERE
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Homenagem às vítimas do atentado de Bruxelas em 23 de março de 2016

A justiça da Bélgica decidiu nesta terça-feira enviar a julgamento 10 suspeitos de participação nos atentados executados em 2016 em Bruxelas, que deixaram 32 mortos e mais de 340 feridos.

Entre os suspeitos está o francês Salah Abdeslam, o único sobrevivente dos grupos que executaram os ataques terroristas em 13 de novembro de 2015 em Paris.

O Conselho da Corte de Bruxelas foi além dos pedidos da Procuradoria Federal, que solicitara o julgamento de oito suspeitos, e não 10.

Três acusados foram formalmente liberados do processo por falta de provas, informou Eric Van Duyse, porta-voz da justiça federal em Bruxelas, que não revelou suas identidades.

Na manhã de 22 de março de 2016, dois ataques com explosivos, o primeiro no aeroporto e depois em um trem do metrô de Bruxelas, deixaram 32 mortos e mais de 340 feridos.

Executados pela mesma célula jihadista franco-belga responsável pelos atentados em Paris em 13 de novembro de 2015 (com balanço de 130 mortos), os ataques foram reivindicados pelo grupo Estado Islâmico (EI).

O MP federal belga solicitou que o Abdeslam, 31 anos, atualmente detido na França, seja levado aos tribunais.

Todos os réus são acusados de "assassinato em um contexto terrorista" e podem ser condenados à prisão perpétua.

Um deles, Osama Atar, suspeito de ter planejado os atentados, provavelmente morreu na Síria e deve ser julgado à revelia.

Além de Atar e Abdeslam, os principais acusados são Mohamed Abrini, "o homem do chapéu", que preferiu não detonar os explosivos presos ao corpo no aeroporto, e Osama Krayem, que abandonou o grupo depois de acompanhar o homem-bomba a uma estação de metrô.

O julgamento do ataque mais violento em território belga desde a Segunda Guerra Mundial não deve acontecer antes do segundo semestre de 2022.

A França deve organizar antes o julgamento pelos atentados de 2015. As audiências estão programadas para começar em Paris em 8 de setembro de 2021 e prosseguir até março de 2022.

Para Abdeslam, este será o segundo processo na Bélgica. Francês de origem marroquina, mas que cresceu no bairro Molenbeek, em Bruxelas, ele foi condenado em 2018 a 20 anos de prisão por tentativa de homicídio contra policiais, durante uma troca de tiros.

A antiga sede da Otan em Bruxelas, um grande espaço muito protegido, foi remodelada para receber as quase 1.000 pessoas envolvidas no processo.

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