STF investigará nove ministros de Temer no âmbito da 'Lava Jato'

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, em 7 de fevereiro de 2017

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou pedidos de abertura de inquérito envolvendo nove ministros do presidente Michel Temer pela operação "Lava Jato" - revelaram nesta terça-feira (11) documentos publicados pelo STF.

Esse processo inclui alguns dos principais membros do gabinete e boa parte da cúpula do Congresso.

A longa lista divulgada à noite pelo STF inclui Eliseu Padilha, ministro-chefe da Casa Civil; Wellington Moreira Franco, Secretário-geral da Presidência; e o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes. Todos são integrantes do núcleo duro do governo conservador de Temer, que sucedeu a Dilma Rousseff, deposta em 2016 por manipular as contas públicas.

Também estão na lista os ministros da Agricultura, Blairo Maggi; da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab; da Integração Nacional, Hélder Barbalho; das Cidades, Bruno Araújo; da Cultura, Roberto Freire; e da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira.

Segundo reportou o portal do jornal Estado de S. Paulo com exclusividade, a nova onda da Operação "Lava Jato" abrange 29 senadores, 42 deputados e três governadores.

O processo atinge em cheio os principais partidos do País.

A lista de Fachin inclui o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), o líder do partido no Senado, Romero Jucá, o senador Aécio Neves, líder do PSDB, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Os pedidos para indagar os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-2016) foram enviados a tribunais de instâncias inferiores.

A nova onda de investigações se baseia nas denominadas "delações da Odebrecht", empreiteira que desempenhou um papel central no esquema, desviando US$ 2 bilhões para a política.

Segundo quem teve acesso ao conteúdo, as delações têm potencial para mudar o já atribulado cenário político brasileiro.