Justiça britânica autoriza extradição de Julian Assange para os EUA

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 18.09.2013 - Videoconferência com Julian Assange, fundador do WikiLeaks, em São Paulo. (Foto: Letícia Moreira/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 18.09.2013 - Videoconferência com Julian Assange, fundador do WikiLeaks, em São Paulo. (Foto: Letícia Moreira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A justiça britânica emitiu nesta quarta-feira (20) a ordem formal que autoriza a extradição do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, aos Estados Unidos para ser julgado por espionagem devido à publicação de centenas de milhares de documentos secretos a partir de 2010.

A ordem será enviada agora para a ministra do Interior, Priti Patel, que tem a última palavra em qualquer extradição e seria favorável à medida. Ela tem 28 dias para se manifestar. A defesa de Assange pode apresentar suas alegações até 18 de maio.

A justiça dos Estados Unidos deseja julgar o australiano, de 50 anos, pela divulgação no WikiLeaks a partir de 2010 de mais de 700 mil documentos confidenciais sobre atividades diplomáticas e militares americanas, que revelaram atrocidades nas guerras do Iraque e Afeganistão.

Se for declarado culpado, Assange pode ser condenado ao máximo de 175 anos de prisão, em um caso que as organizações de defesa dos direitos humanos denunciam como um ataque à liberdade de imprensa.

O governo americano afirma que o australiano não é jornalista, e sim um hacker, que colocou em perigo a vida de vários informantes ao publicar documentos completos, sem edição.

No dia 14 de março, a Suprema Corte britânica rejeitou um recurso de Assange para apelar contra a extradição.

Casamento na prisão

No mês passado, o australiano e a advogada sul-africana Stella Moris se casaram na penitenciária britânica de segurança máxima onde o fundador do WikiLeaks está desde sua detenção, em 2019, na embaixada equatoriana em Londres.

Assange e Moris tiveram dois filhos em segredo durante os quase sete anos que o australiano viveu refugiado na embaixada equatoriana, onde ele foi preso em abril de 2019, quando o presidente Lenín Moreno retirou a proteção concedida a ele em 2012 por seu antecessor Rafael Correia.

"Não é um casamento na prisão, é uma declaração de amor e resistência apesar dos muros da prisão, apesar da perseguição política, apesar da detenção arbitrária, apesar do dano e assédio infligido a Julian e nossa família", escreveu Moris em um artigo publicado pelo jornal britânico The Guardian, na época.

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