Justiça britânica conclui que naufrágio de pesqueiro francês em 2004 foi 'acidente'

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Uma embarcação reboca o pesqueiro naufragado "Bugaled Breizh" até o porto militar francês de Brest, em 13 de julho de 2004 (AFP/Fred TANNEAU)

A Justiça do Reino Unido determinou nesta sexta-feira (5) que o afundamento de um barco pesqueiro francês, no qual morreram cinco pessoas em 2004, foi causado por um "acidente de pesca", descartando a teoria defendida pelas famílias das vítimas, de que o mesmo teria sido provocado por um submarino.

O "Bugaled Breizh" ("Filhos da Bretanha", em bretão) naufragou em águas internacionais em frente ao litoral da Cornualha, no sudoeste da Inglaterra, em 15 de janeiro de 2004. As condições do tempo eram boas e a embarcação levou menos de um minuto para afundar.

Nenhum membro da tripulação, composta pelos franceses Yves Gloaguen, Pascal Le Floch, Georges Lemetayer, Patrick Gloaguen e Eric Guillamet, sobreviveu.

A Justiça francesa dedicou anos para investigar o ocorrido, mas, apesar de ter determinado inicialmente que se tratava de um acidente, nunca conseguiu dar uma explicação completa.

O juiz Nigel Lickley foi mais categórico nesta sexta-feira e afirmou que o pesqueiro "afundou como consequência de um acidente de pesca", segundo as suas conclusões, acrescentando que não havia nenhuma outra embarcação nos arredores.

Apesar das esperanças das famílias das vítimas, a hipótese de uma colisão com um submarino militar foi se afastando na medida em que as audiências avançavam em Londres, que começaram na segunda-feira, em favor da hipótese, defendida por um especialista, de um acidente de pesca causado por uma peça do barco que teria se prendido no fundo do mar.

Além disso, foi confirmada a presença de três submarinos na região - o holandês "Dolfijn", o alemão "U22" e o britânico "Torbay" - que se preparavam para a realização de exercícios militares. Contudo, as suspeitas das famílias se concentram em outro submergível, o "Turbulent" britânico.

Diante do tribunal, a Marinha holandesa e a Marinha Real britânica descartaram qualquer envolvimento no acidente, a primeira alegando que o "Dolfijn" estava na superfície no momento do naufrágio, e a segunda que o "Turbulent" não estava no mar no dia do acidente.

"Não tivemos, absolutamente, qualquer envolvimento. Estávamos no porto" de Devonport, no sudoeste da Inglaterra, "no dia 15" de janeiro, disse o então comandante do submarino britânico, Andrew Coles, em seu depoimento.

Além disso, a hipótese de que havia outro submarino aliado não identificado no local das manobras militares foi considerada "impensável" pelo comandante Daniel Simmonds, oficial encarregado das operações submarinas da Marinha do Reino Unido.

Em 2016, cogitou-se a possibilidade de que um submarino da Marinha dos Estados Unidos também estivesse no local, mas Washington negou tal informação.

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