Justiça britânica reexamina decisão de retirar nacionalidade da 'noiva do EI'

Uma jovem que perdeu sua nacionalidade britânica após se juntar ao grupo extremistas Estado Islâmico (EI) na Síria, quando adolescente, teve seu caso revisto nesta segunda-feira (21) em Londres, onde seus advogados alegam que ela foi "vítima de tráfico de pessoas".

Hoje com 23 anos, Shamima Begum é uma das centenas de europeus, cujo destino após o colapso do chamado "califado" do EI em 2019 se tornou uma dor de cabeça para muitos governos.

Com apenas 15 anos, a então adolescente deixou sua casa e sua família no leste de Londres, em 2015, e viajou com duas amigas para a Síria. Lá, casou-se com um combatente do EI de origem holandesa oito anos mais velho que ela e teve três filhos. Nenhum deles sobreviveu.

Shamima foi encontrada por jornalistas britânicos em fevereiro de 2019 em um campo de detenção administrado por curdos na Síria. Apelidada de "noiva do EI", sua falta de remorso nas entrevistas causou indignação no Reino Unido.

O governo britânico retirou sua cidadania, deixando-a sem possibilidade de sair da Síria.

Uma audiência foi realizada hoje, à revelia, ante a Comissão Especial de Apelações de Imigração (SIAC) de Londres, já que a Suprema Corte britânica negou-lhe, no ano passado, autorização para viajar para o Reino Unido para se defender pessoalmente.

"Este caso diz respeito a uma menina britânica de 15 anos que foi (...) influenciada (...) junto com suas amigas por uma máquina de propaganda do EI determinada e eficaz máquina de propaganda do EI (...) para ser entregue em casamento a um combatente", alegou uma de suas advogadas, Samantha Knights.

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