Justiça britânica rejeita recursos contra a expulsão de migrantes para Ruanda

Uma corte de apelações britânica rejeitou nesta segunda-feira dois recursos urgentes contra o polêmico plano do governo de Boris Johnson de enviar a Ruanda os migrantes e solicitantes de asilo que chegam de maneira ilegal ao Reino Unido.

Jornal: Príncipe Charles diz que política britânica de enviar imigrantes para Ruanda é 'terrível'

Também nesta segunda: Reino Unido apresenta projeto para modificar unilateralmente acordo pós-Brexit

Após rebelião de membros de seu Partido Conservador: Premier britânico sobrevive a voto de desconfiança

O primeiro voo deve transportar nesta terça para o país africano, que fica a 7.000 km de Londres e tem um preocupante histórico em termos de direitos humanos, os primeiros oito expulsos como parte do plano idealizado para dissuadir a chegada de pessoas sem documentos ao país.

Um sindicato e as ONGs Care4Calais e Detention Action — ao lado de vários requerentes de asilo — tentaram impedir a medida na sexta-feira por meios legais ao denunciar, com o apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), uma "política ilegal".

No entanto, o juiz Jonathan Swift considerou "importante para o interesse público que a ministra do Interior possa aplicar as decisões de controle de imigração". A autorização para o prosseguimento dos planos do Executivo levou esses demandantes, assim como a ONG de ajuda aos refugiados Asylum Aid, a apresentarem dois recursos separados, ambos rejeitados.

Até agora, as ações judiciais individuais deram um resultado relativo, com a redução da escala da medida. Dos 31 candidatos à expulsão registrados na semana passada — incluindo sírios, iranianos, iraquianos, egípcios e afegãos — "23 pessoas tiveram canceladas suas passagens para Ruanda e oito ainda devem partir amanhã (terça-feira)", tuitou a organização Care4Calais.

O governo britânico negociou o plano há alguns meses com Ruanda, que já preparou um hotel para alojar quase cem migrantes.

Pagamento a Ruanda

O governo ruandês deve receber em um primeiro momento 120 milhões de libras (157 milhões de dólares) para recebê-los e "apresentar uma via legal de residência" para que possam "estabelecer-se de forma permanente, caso desejem", de acordo com o chefe da diplomacia do país africano, Vincent Biruta.

Maio: Mais de 250 migrantes cruzaram o Canal da Mancha em apenas um dia, diz Ministério da Defesa britânico

O objetivo de Londres com o sistema, que foi criticado pela ONU, a Igreja e várias organizações, é dissuadir as travessias de migrantes a partir das costas francesas. Desde o início do ano, mais de 10.000 pessoas chegaram de maneira ilegal ao país em deslocamentos com embarcações precárias no Canal da Mancha, uma das rotas marítimas de maior tráfego do mundo.

"Os grupos criminosos que colocam em perigo a vida das pessoas no Canal de Mancha devem entender que seu modelo de negócio será derrubado durante este governo", disse o premier Boris Johnson à rádio LBC.

O primeiro-ministro pretende participar a partir de 20 de junho em Ruanda em um encontro da Commonwealth, a Comunidade Britânica formada por 54 países. Ele deve se reunir com o presidente Paul Kagame, que governa Ruanda desde o fim do genocídio de 1994, quando morreram 800.000 pessoas, e cujo governo é acusado com frequência de reprimir a liberdade de expressão e a oposição política.

As ONGs temem especialmente pelos demandantes de asilo LGTBQ+, depois que o próprio Ministério do Interior britânico admitiu "preocupações" sobre o tratamento reservado a essas pessoas no país africano.

Os migrantes envolvidos estão em "choque e desespero", disse Clare Moseley, fundadora da Care4Calais, na sexta-feira.

— Muitos vieram ao Reino Unido acreditando que era um bom lugar, que os trataria de forma mais justa que os países dos quais fugiram — afirmou à AFP.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos