Justiça concede liberdade provisória a surfista envolvido em acidente que matou sargento da Marinha

O Globo
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RIO — A Justiça decretou na tarde desta quinta-feira a liberdade provisória do surfista Felipe Cesarano, que se envolveu em um acidente de trânsito que matou o sargento da Marinha Diego Gomes da Silva, de 36 anos, na quarta-feira. Especialista em ondas grandes, o atleta conhecido como "Gordo" estava embriagado ao volante e colidiu contra o o carro do militar. A decisão do juiz Alex Quaresma Ravache, do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), se baseia no fato de Cesarano não apresentar antecedentes criminais e o homicídio ter sido qualificado como culposo, quando não há intenção de matar.

No documento, Ravache ressalta que apesar da "extrema reprovabilidade da conduta" de Cesarano, "trata-se de delito culposo, o qual não está inserido no rol dos crimes que admitem a prisão preventiva".

O juiz salienta também que "ainda não é conhecida a dinâmica do evento. Nesta fase embrionária, em que sequer está concluída a perícia do local requisitada, não é possível presumir o dolo eventual, cabendo ressaltar neste ato o Ministério Público, órgão de acusação, entendeu se tratar de delito culposo. Ademais, o custodiado é primário, sem nenhuma anotação em sua FAC e o Ministério Público, titular da ação penal, pediu a soltura do custodiado. Desse modo, ao menos neste momento inicial, não se vislumbra os requisitos da prisão preventiva".

Cesarano está proibido de dirigir, bem como acessar e frequentar casas noturnas, bares e quaisquer locais onde sejam vendidas bebidas alcoólicas para consumo imediato. O surfista também deve se apresentra mensalmente à Justiça e está proibido de se ausentar do local onde mora por mais de 10 dias, sem prévia autorização judicial. O descumprimento de qualquer uma das medidas pode acarretar em prisão preventiva.

'Se mostrou indiferente'

Segundo o delegado Daniel Rosa, titular da 15ª DP (Gávea) que investiga o caso, o atleta afirmou durante depoimento que não se lembrava o quanto havia consumido de álcool naquele dia.

— Foi feito o teste de alcoolemia no IML, que testou positivo. Ele fez exame clínico sem sangue. Os peritos constataram que ele estava bêbado. Mas na realização da perícia, ele deu gargalhadas durante a elaboração do laudo. Ainda se mostrou indiferente ao resultado e à tragédia que aconteceu, o que traz para nós uma certa surpresa pela falta de humanidade diante desse fato — ressaltou Daniel Rosa.

Cesarano estava sozinho dentro do seu carro, no sentido Zona Sul da Autoestrada Lagoa-Barra, em São Conrado, quando perdeu o controle do veículo, subiu no separador, invadiu a pista contrária e bateu de frente com o carro de Diego da Silva. A polícia quer entender a dinâmica e todo o trajeto percorrido pelo surfista antes de o acidente fatal.

A polícia terá dez dias para investigar as circunstâncias do caso. Os agentes já buscam câmeras de segurança que mostram o momento da colisão e o onde o surfista estava antes de bater e matar o sargento da Marinha. Testemunhas ainda serão ouvidas na 15ªDP. Ainda durante as investigações, será apurado se houve a prática de algum outro crime.

— Se ele estava bebendo antes, onde ele estava, se havia alguma festa anterior, se estava com amigos, tudo isso vai ser desenvolvido ao longo desses dez dias que restam para investigação. Ele estava sozinho no carro. Mas como estava embriagado, acreditamos que tenha dormido ou se distraído. Alguma coisa aconteceu com a razão do consumo de bebida, perdeu o reflexo e veio a colidir com essa vítima, o sargento da Marinha, de forma trágica — afirma o delegado.