Justiça condena a 76 anos de prisão pintores que mataram idosa e diarista

O juiz Flavio Itabaiana de Oliveira Nicolau, da 27ª Vara Criminal, sentenciou nesta quarta-feira os pintores Jhonatan Correia Damasceno e William Oliveira Fonseca a 76 anos, dois meses e 20 dias de prisão pelos assassinatos de Martha Maria Lopes Pontes, de 77 anos, e da diarista Alice Fernandes de Silva, de 51. As mulheres foram degoladas dentro do apartamento da idosa, na Avenida Rui Barbosa, no Flamengo, que ainda foi incendiado pelos criminosos. Na sentença, o magistrado destacou a extrema violência e crueldade do crime.

Colisão na Ponte Rio-Niterói: Uso da Baía de Guanabara como cemitério de navios preocupa especialistas da área ambiental

Relembre o caso: Vídeo mostra interior do apartamento em que idosa e diarista foram encontradas degoladas

“Os condenados foram presos preventivamente, sendo certo que suas custódias cautelares hão de ser mantidas em virtude de se encontrarem presentes dois dos requisitos, previstos no art. 312 do Código de Processo Penal, que autorizam a decretação da prisão preventiva, quais sejam, a garantia da ordem pública e o asseguramento da aplicação da lei penal. Afinal, um dos delitos perpetrados pelos condenados foi o de latrocínio, que é um crime hediondo, o que evidencia a periculosidade dos condenados - esta, aliás, também pode ser evidenciada pela extrema violência e crueldade empregada no crime, o que deixa inequívoco que a liberdade dos condenados poderia gerar perigo para a sociedade -, não se podendo perder de vista, ainda, que os condenados, em liberdade, certamente encontrariam estímulos para a prática de outros delitos semelhantes. Destarte, a manutenção dos condenados no cárcere há de se dar para garantia da ordem pública.” – escreveu o magistrado.

Ponte: Dois funcionários que trabalhavam em navio que colidiu com a Ponte estavam em condições análogas à escravidão, segundo MP

O juiz Flávio Itabaiana caracterizou ainda a forma de agir dos pintores como fria, calculada, insensível, covarde e bárbara, “com o crime sendo perpetrado com extrema e exacerbada crueldade - esgorjamento - contra duas mulheres indefesas), das circunstâncias do crime (este foi perpetrado em concurso de pessoas, dificultando, assim, eventual reação das vítimas, devendo ser considerada, ainda, a longa duração do delito. O magistrado também destacou que “os réus ingressaram no apartamento da vítima Martha por volta das 13h30 e de lá saíram juntos por volta das 16h40 -, já que durante horas as vítimas, antes de serem mortas, ficaram amordaçadas e amarradas, sofrendo, dessa forma, verdadeira “tortura” física e moral) e das consequências do delito (estas, pelo que se depreende dos depoimentos prestados em juízo e em sede policial, foram excessivamente graves, pois o crime, além de causar comoção, revolta e danos psicológicos às famílias das vítimas, também causaram comoção nos empregados e moradores do condomínio, bem como na sociedade)”.

Relembre o caso

Martha Maria Lopes Pontes, de 77 anos, e Alice Fernandes da Silva, de 51, foram encontradas degoladas dentro de um apartamento de luxo no Flamengo, na Zona Sul do Rio no início de junho. Na tarde daquele dia, Willian e Jhonatan saíram de suas casas, em Acari, na Zona Norte da cidade, e deslocaram-se até o Flamengo.

De acordo com a denúncia, ao qual O GLOBO teve acesso, ao chegarem no prédio na Avenida Rui Barbosa, foram autorizados a subir no apartamento de Martha e recebidos na porta dos fundos pela diarista. Nesse momento, Willian partiu para cima da funcionária, a amordaçando e amarrando suas mãos com uma fita durex que estava na cozinha da residência. Jhonatan então direcionou-se a idosa, que estava sentada em seu escritório, aproximando-se por trás e dizendo: “Fica calma, só quero seu dinheiro”.

‘Achei que fosse cair’, diz autor de vídeo com choque entre navio e a Ponte Rio-Niterói

Willian amarrou as mãos de Martha com um lacre e as pernas com um lençol e também a amordaçou. Com as duas vítimas imobilizadas e com suas liberdades restritas, Jhonatan pegou um talão de cheques no quarto da idosa e a obrigou a preenchê-los e assiná-los. Na posse das folhas, ele se dirigiu a uma agência bancária, na Rua Marquês de Abrantes, e efetuou três saques de R$ 5 mil. Os dois fugiram após o crime.

Segundo o laudo de exame de necropsia, a causa da morte de Martha e Alice foi esgorjamento — lesão profunda que atingiu a garganta das vítimas e que foi provocada por ação corto-contundente, possivelmente uma faca. Em depoimento prestado na DHC, Jhonatan confessou participação no caso, mas responsabilizou o comparsa pela morte das vítimas.

Os cadáveres das duas mulheres foram localizados, por volta de 17h, por homens dos quartéis do Catete e do Humaitá do Corpo de Bombeiros. Eles foram acionados devido a um incêndio no apartamento onde estavam as vítimas. Pouco depois, uma faixa da Avenida Rui Barbosa chegou a ser interditada pela Polícia Militar, segundo o Centro de Operações (COR) da Prefeitura do Rio.