Justiça condena oito militares do Exército pelas mortes de músico e de catador na Zona Norte do Rio

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  • Oito militares do exércitos foram condenados pela morte do músico Evaldo dos Santos em abril de 2019

  • O Comandante da operação foi sentenciado a 31 anos e 6 meses de reclusão

  • Outros sete receberam 28 anos de detenção

A Justiça militar condenou, no início da madrugada desta quinta-feira, dia 14, oito militares do Exército que participaram da morte do músico Evaldo dos Santos Rosa e do catador de latas Luciano Macedo, em 8 de abril de 2019. O tenente Italo da Silva Nunes, que comandava a operação realizada em Guadalupe, na Zona Norte do Rio, foi condenado a 31 anos e 6 meses de reclusão em regime fechado, por duplo homicídio e a tentativa de homicídio de Sergio Gonçalves de Araújo, na mesma ação. 

Outros sete militares, que realizaram disparos na ocasião, foram condenados a 28 anos de reclusão em regime fechado. A defesa dos militares vai recorrer da decisão. Quatro homens que não participaram da troca de tiros foram absolvidos.

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O julgamento, iniciado na manhã desta quarta-feira, dia 13, durou mais de 15 horas. Durante a maior parte do tempo, parentes das vítimas permaneceram abraçados. A viúva de Evaldo, Luciana Nogueira, afirmou que o resultado do julgamento dá a paz que a família buscava. 

— Hoje vou conseguir dormir. Vou olhar para o meu filho, que não vai ver o pai crescer, e vou dizer que era um homem de bem. É um recado que o tribunal manda para a sociedade. Esse crime não ficará impune — disse. 

Na ocasião do crime, os militares atiraram no carro onde estava a família de Evaldo alegando que o veículo havia furado um bloqueio. Mais de 200 tiros foram disparados e 83 deles atingiram o carro. O tenente Ítalo Nunes foi o que mais atirou: 77 disparos. Os tiros também deixaram um rastro de destruição no local: em cerca de 200 metros da Estada do Camboatá, peritos militares encontraram 37 marcas de disparos de armas de fogo em muros, carros, grades e paredes de prédios.

MP divide denúncia

Comandante da guarnição foi responsável por disparar 77 dos 83 tiros que atingiram o carro de Evaldo Rosa. (Foto: José Lucena/Futura Press)
Comandante da guarnição foi responsável por disparar 77 dos 83 tiros que atingiram o carro de Evaldo Rosa. (Foto: José Lucena/Futura Press)

O Ministério Público dividiu a denúncia em dois momentos. O primeiro é quando os militares trocaram tiros com criminosos que roubavam um carro a 250 metros de onde Evaldo foi atingido pela primeira vez. Por não conseguir provar a quantidade de disparos efetuados neste primeiro momento, o MP pediu a absolvição dos réus por excesso de legítima defesa.

O segundo momento da denúncia narra o momento em que o veículo do Exército foi em direção ao carro da família de Evaldo, que já estava baleado, e efetuou mais 82 disparos. Destes, 62 atingiram o veículo e outros 20 foram na direção de do catador Luciano Macedo, que tentava socorrer Evaldo e seu sogro Sérgio, que permaneciam no veículo. Evaldo morreu no local após ser alvejado com nove tiros de fuzil. Já Luciano morreu no hospital 11 dias depois da ação.

Viúva passa mal

Luciana Nogueira passou mal com a entrada dos militares acusados da morte de seu marido na sala do julgamento, que ocorre nesta quarta-feira. Durante a leitura da denúncia, Luciana foi socorrida pela equipe médica. Ela, parentes e amigos do artista ficaram muito emocionados em outros momentos da sessão. Um deles foi na exibição de um vídeo da hora em que foram efetuados os 82 disparos contra a família e o catador de material reciclável Luciano Macedo.

Em depoimento gravado em outra sessão do julgamento e exibido nesta quarta-feira, Luciana lembrou que, ao ouvir os tiros, chegou a pedir calma a Evaldo, pois estavam próximos ao quartel.

"Calma, amor, é o quartel. Saí pedindo socorro, as pessoas vieram ajudar, mas eles vieram atrás e os tiram continuaram. Meu filho estava atrás do pai e a Michele atrás do carona. No momento dos tiros, nós três saímos pedindo ajuda para salvar meu marido. Meu filho gritava pelo nome do pai. Eles continuavam atirando", disse, no depoimento gravado.

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