Justiça converte em preventiva prisão de homem por jogar artefato em comício de Lula no Rio

A juíza Ariadne Villela Lopes, da 16ª Vara Criminal, converteu em preventiva a prisão em flagrante de André Stefano Dimitriu Alves de Brito, de 55 anos, por arremessar uma garrafa com artefato explosivo e fezes durante o comício do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Cinelândia, no Centro do Rio, na noite de quinta-feira. De acordo com a decisão da magistrada, tomada neste sábado, “as circunstâncias em que supostamente foi praticada a conduta imputada ao custodiado mostram-se graves o suficiente para a referida conversão”.

Vídeo: assista ao momento em que artefato explode durante comício de Lula na Cinelândia

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“Atos dessa natureza mostram-se graves, principalmente por expor a risco concreto a integridade física de diversas pessoas, uma vez que é fato notório que no ato público em que supostamente foi praticada a conduta imputada ao custodiado havia milhares de pessoas, em aglomeração, o que dificulta a dispersão das pessoas que lá se encontravam”, escreveu a juíza.

“Por outro lado, o Brasil encontra-se em período pré-eleitoral de eleições gerais, momento em que os ânimos podem se acirrar, mostrando-se necessário o desestímulo de práticas de natureza violenta, não apenas para proteção das pessoas - objetivo primordial da intervenção do Estado-juiz -, mas também para garantia de manifestações livres de pensamento, que podem restar intimidadas por práticas violentas”, destacou.

André foi levado a 5ª DP (Mem de Sá) por policiais militares do 5º BPM (Praça da Harmonia), por volta de 19h. Na ocasião, ele vestia uma camisa preta de mangas compridas, onde estavam colados adesivos de campanha com as inscrições: “Lula, Freixo, André & Eu” e teria utilizado os decalques para se infiltrar na multidão.

De acordo com o registro de ocorrência, ele foi identificado após acionar os PMs, que estavam na esquina da Rua Araújo Porto Alegre com a Avenida Rio Branco, dizendo ser perseguido por populares. Um dos cabos então perguntou sobre seus documentos e o homem disse não possuir pois teria perdido durante o ato político.

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Quando André já havida sido colocado dentro da viatura, sendo conduzido a delegacia, pessoas cercaram o carro afirmando que ele havia jogado uma garrafa que explodiu e querendo linchá-lo. Ao delegado Gustavo de Castro, titular da 5ª DP, os militares disseram que chegaram a temer pela “saúde física” dele.

Na distrital, André confessou o crime, mas não quis prestar depoimento. Informalmente, André ele não ter “inclinação política ou ideológica” e que teria realizado o ato como uma forma de protesto a uma alegada polarização que prejudicaria o futuro do Brasil.

Testemunha do caso, a advogada Janira da Rocha Silva Alves de Lima Inácio relatou estar na Cinelândia quando presenciou André com uma garrafa com um líquido e um pavio. Ela disse que ele acendeu o pavio e jogou o objeto no meio do ato do partido do PT, mas negou ter visto onde a bomba explodiu, apenas ouvido o barulho.

A advogada disse que no local onde o explosivo caiu havia uma divisória metálica e que não sabe se alguém se feriu. Amigo de Janira, o assistente administrativo Alex dos Santos Bernardo afirmou, em depoimento, ter ouvido ela gritar: “Olha ali”, quando teve sua atenção voltada para André. Ele contou que o homem conseguiu correr, sendo amparado pelos policiais militares para não ser linchado por populares.

Também na delegacia, a bombeira civil Mariana da Silva Salvian, que trabalhava no ato para uma empresa, relatou estar em cima do palco quando escutou um barulho de explosão muito forte. A profissional diz ter ido verificar se havia alguém ferido e protegeu o local. Ela encontrou uma garrafa pet estourada, com um líquido não identificado e um odor bastante forte. O material foi enviado ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), que também realizou uma perícia na Cinelândia.

Da distrital, André foi levado para a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte da cidade, a porta de entrada do sistema penitenciário do Rio. Hoje, ele irá passar por uma audiência de custódia, a partir de 11h, em que um juiz decidirá se irá relaxar sua prisão em flagrante ou convertê-la em preventiva.

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